Argentina

Sem receber há três meses, técnico da Argentina sub-23 dispara: “É de chorar, mas a realidade”

Em meio à bagunça que toma conta da AFA, Julio Olarticoechea foi um verdadeiro tapa-buracos na seleção olímpica. O ex-campeão mundial assumiu o cargo de técnico apenas porque era o único apto para a função com contrato vigente junto à federação. Enquanto Tata Martino abandonou o barco pelo descaso dos dirigentes na liberação de jogadores, as categorias de base estão há nove meses sem profissionais definidos. E a boa vontade do veterano não foi correspondida da mesma maneira pelos cartolas. Segundo ele, os profissionais da comissão técnica não recebem seus salários há três meses.

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“Escuto gente que nos critica, que dizem que aqui só pesa o dinheiro. Estão todos equivocados Quando se chega a este nível, o que interessa é a camisa, quando perde o choro é completo. Sei do sentimento de cada jogador”, declarou, em entrevista ao Olé. “Eu ganho muito pouco e não choro. Caldera, meu assistente, faz mil coisas, ganha 18 mil pesos por mês e faz três meses que não lhe pagam. Ontem, minha mulher me chamou e me disse que está pegando dinheiro com a minha filha. Pediu que eu fale com os dirigentes, que precisamos de dinheiro. É para chorar, mas essa é a realidade”.

O treinador ainda fez questão de eximir os seus atletas de culpa: “Choramos muito no vestiário e no hotel. Os garotos sentem a camisa. Os argentinos não estão acostumados com uma eliminação tão rápida. Eu logo disse que não ia dar desculpas. O elenco é muito bom, mas os outros países cresceram. Isto tem que servir para que os dirigentes entendam que é preciso fazer um trabalho sério e de longo prazo, que agora não existe”

Por fim, Olarticoechea não poupou críticas pesadas aos próprios dirigentes: “É como não te valorizam. Cheguei à AFA por acaso. Tirando Tapia e Segura, os dirigentes não sabiam o que eu fazia, como sou, como trabalho, se sei isto ou se não sei. Os dirigentes não veem a realidade. Precisam deixar de brigar e pensar seriamente que fazem mal ao futebol. Se não fazem as coisas como devem, seguiremos assim, à deriva, sem linha de trabalho e nem condução na base. Jogadores vão surgir, mas não como Messi ou Maradona”. Palavras fortes, mas mais do que necessárias para o momento.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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