Scaloni: “Melhoramos como comissão técnica porque começamos com uma ideia e nos demos conta de que nossos atletas queriam jogar outra coisa”
Scaloni falou sobre a confiança da Argentina, mas também pediu cautela em relação às expectativas
Lionel Scaloni conseguiu construir uma capacidade coletiva que há tempos não se via na seleção argentina. A “Scaloneta” conquistou a Copa América, fez uma campanha excelente nas Eliminatórias e, nesta quarta, venceu também a Finalíssima contra a Itália. O triunfo por 3 a 0 em Wembley garantiu uma invencibilidade de 32 partidas à Albiceleste – novo recorde da equipe, superando a marca anterior estabelecida entre 1991 e 1993. O discurso do treinador, ainda assim, chama atenção pela cautela. Depois do novo título, ele comentou como o caminho é longo e como o trabalho deve se voltar a garantir a liberdade dos jogadores.
“A tarefa era acomodar as coisas, ver quem joga bem e juntá-los. Dar a eles a possibilidade de que curtam dentro de campo. Melhoramos como comissão técnica porque começamos com uma ideia e nos demos conta de que nossos jogadores queriam jogar outra coisa. Há um caminho a seguir. Você pode perder uma partida chave, mas não é por isso que vai jogar fora um trabalho de quatro ou cinco anos”, comentou Scaloni, à ESPN local.
O treinador sabe que as altas expectativas não são exatamente favoráveis: “A Copa do Mundo é totalmente diferente disso, com uma pressão totalmente distinta. Não se pode enganar. O bom é que as pessoas desfrutam com a equipe, mesmo quando veem em dificuldade. Creio que há muita esperança com esse time. E no futebol te derrubam com uma pancada. Sabemos que não importa quem entra no time, vamos ter boas condições, mas pensar que tem algo ganho é um erro”.
Sobre o jogo, Scaloni viu um encaixe favorável à Argentina, mas sabe que a confiança precisa ser tratada com cuidado: “O futebol tem dessas coisas, às vezes tudo sai bem. Nosso time se encontrou cômodo e pôde jogar. Acreditamos que a confiança de ganhar te libera de muitas coisas. Mas também temos que estar fortes para outros momentos, que é o que me preocupa”.
Além do mais, o comandante preferiu minimizar as novas marcas atingidas: “Não penso que estou entre os técnicos mais vencedores da Argentina, porque sinceramente seria uma falta de respeito com todos os treinadores que passaram aqui. Nós fazemos nossa parte: tentar que esse grupo ofereça alegria às pessoas e se sinta identificado. Depois disso, se ganhamos é melhor”. Por enquanto, as vitórias seguem pintando.



