Argentina

Ressentido pela saída turbulenta do Boca, Battaglia fala sobre crise xeneize em TV argentina

Ex-treinador do clube tentou evitar polêmicas, mas falou de maneira sincera sobre sua longa passagem pelo Boca

Ídolo do clube, jogador com mais títulos na história do Boca Juniors e… demitido após uma eliminação traumática contra o Corinthians, dentro de La Bombonera. O passado do Boca tem muito a ver com Sebastián Battaglia, mas o futuro seguirá sem o ex-volante e técnico da agremiação xeneize. Em entrevista a um programa da TV argentina, o treinador revelou grande mágoa pela saída do seu time de coração.

A pressão acabou por engolir Battaglia, que até tinha responsabilidade no desempenho ruim do time, mas que obviamente não é a figura que mais causou problemas durante os últimos meses na Bombonera. Quando a diretoria entrou em rota de colisão com os senadores do elenco e os menosprezou alegando que “não ganharam nada para merecer mais respeito”, o tom da crise interna do Boca ficou bem evidente. Alheio a essas questões e até afastado de conversas mais profundas com a diretoria, Battaglia falou sobre como se sentiu confuso em sua passagem de pouco mais de um ano pelo banco de reservas do clube.

Em aparição no programa Animales Soltos, de Alejandro Fantino, Sebastián fez algumas falas que ajudam a explicar como as coisas são geridas no Boca após sua demissão:

“Me doeu a maneira como tudo foi conduzido. Ainda vai doer por tempo, mas no fim, sei que todos queremos o bem do Boca. Queria ter falado mais de futebol com Román [Riquelme] durante minha passagem pelo clube, mas falava mais com os diretores. Dói também ver como tudo estava indo mal e rapidamente se acabou. Não falei com Román e nem com os diretores desde que saí. Quando me disseram, lá atrás, que me queriam como técnico, foram até a minha casa e aceitei. Queria que tivessem feito isso agora, também. Venham até mim, falamos sobre. Isso me magoou. Sei que eles já tinham tomado a decisão [da demissão], mas não sei porque fui demitido, tampouco qual foi o motivo pelo qual me contrataram”.

Não fosse pelo pênalti batido na trave, e pela segunda tentativa chutada na lua por Darío Benedetto, talvez o desfecho fosse diferente. Mas isso não quer dizer que o Boca não esteja em um turbilhão muito difícil de se escapar. A postura de Benedetto, que inclusive está quase de malas prontas para sair do clube, é apenas a ponta de um iceberg de brigas de ego e falhas de comunicação entre direção e elenco. Para o lugar de Battaglia, Riquelme e seus diretores escolheram Hugo Ibarra, outra figura histórica xeneize, que estreia como interino sem jamais ter trabalhado na função anteriormente. Uma repetição do que viveu Battaglia? Provável.

De toda forma, para um ídolo e torcedor do Boca, a sucessão dos fatos não foi agradável. Apesar disso, Battaglia afirma que sonha em retornar, uma vez que está só começando a carreira como técnico: “O Boca é minha casa e não quero causar dano. Quero o bem do clube, não fiz coisas que pudessem lesar a instituição. Do contrário. Toda vez que paro na frente da televisão, torço, quero que ganhe. Eles [os diretores] que expliquem as decisões que tomaram, não eu”, comentou.

A prova de que o problema não era o técnico é que o Boca segue em maus lençóis, tendo vencido apenas uma das últimas três partidas, com direito a novo pênalti perdido por Benedetto. E a imprensa argentina tem repercutido exaustivamente outros problemas com atletas que estão vindo à tona. Na última semana, o capitão do time, Carlos Izquierdoz, anunciou que deixará a equipe e deve assinar com o Sporting Gijón. Além dele, outro titular está se desgastando com a diretoria. É o caso do goleiro Agustín Rossi, que está vivendo um impasse para renovar seu contrato.

Questões salariais travam o acordo e o empresário do arqueiro resolveu botar a boca no trombone: “Agustín quer ficar e receber um salário melhor, isso é óbvio, mas o que nos ofereceram em primeiro momento foi muito abaixo, em um nível que pagariam ao quarto goleiro da seleção do Panamá”, disparou o agente Miguel González, à TyC Sports. Essa dureza é explicada pelo jornal Olé como parte de uma postura de negociação da gestão de Riquelme, que por vezes força jogadores a saírem por não atender demandas financeiras em propostas de renovação.

O Boca está em 15º lugar na Liga Argentina após nove rodadas. Trocar técnico, mandar um capitão rebelde embora e oferecer pouco dinheiro para renovar com seu goleiro não parece ter resolvido o furacão no qual os xeneizes estão envolvidos. Pelo visto, os problemas vão se arrastar por mais alguns meses…

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Felipe Portes

Felipe Portes é zagueiro ocasional, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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