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Presidente da Argentina garante que finais da Libertadores não serão com torcida única

Presidente da Argentina, Mauricio Macri fez uma manifestação importante nesta sexta-feira. Às vésperas da superfinal da Copa Libertadores entre Boca Juniors e River Plate, o estadista firmou um compromisso para que os jogos decisivos garantam lugares nos estádios aos torcedores visitantes – o que não tem sido praxe no dérbi ao longo dos últimos anos. O antigo dirigente xeneize assegurou que seu governo oferecerá todo auxílio com medidas de segurança e logística para que os cerca de quatro mil visitantes estejam tanto na Bombonera quanto no Monumental de Núñez.

A manifestação de Macri aconteceu inicialmente através do Twitter, fazendo um pedido à Ministra da Segurança Pública, Patrícia Bullrich. “O que os argentinos vão viver dentro de algumas semanas é uma final histórica. Também uma oportunidade de demonstrar maturidade e que estamos mudando, que se pode jogar em paz. Pedi à Ministra da Segurança Pública para que trabalhe com a prefeitura e garanta que o público visitante possa ir”, apontou o presidente. Horas depois, também se pronunciou sobre a postura do governo.

“Lembro daquela semifinal com o River em 2004, que ganhamos, e o silêncio tomou o Monumental. Isso não é futebol. É necessário gritar gol. Essa final, que nunca vai voltar a se repetir, é uma oportunidade histórica que temos para imortalizar um espetáculo completo, e isso inclui a torcida visitante. Por isso temos todos que nos comprometer. É único, maravilhoso e irrepetível, porque o regulamento da Conmebol mudará em breve. Que essa final tenha todos os condimentos. Será com público visitante. Já falei com o chefe de governo, isso é um evento excepcional e concordamos que o público visitante irá”, complementou, à Rádio La Red. Macri era o presidente do Boca Juniors na referida semifinal contra o River Plate, em 2004.

Segundo o estadista, os clubes não foram consultados previamente sobre a decisão do governo. Havia até mesmo resistências internas dentro do poder público. Secretário de Segurança de Buenos Aires, Martín Ocampo havia declarado horas antes que “não era factível” jogar com torcedores visitantes, por mais que se trabalhasse na questão durante todo o tempo. “O desejo de todos é que as arquibancadas recebam as duas torcidas, mas muitas coisas associadas ao futebol ainda não mudaram o suficiente para isso”. Horas depois, com a manifestação de Macri, Ocampo se retratou e prometeu auxiliar.

O Ministério da Segurança já emitiu uma nota apontando que serão tomadas as medidas necessárias para garantir a tranquilidade aos torcedores visitantes, inclusive com iniciativas inéditas não especificadas. Nesta sexta, a ministra Burrlich se reuniu com outros responsáveis pela gestão pública da segurança. Uma das preocupações se concentra sobre o deslocamento do contingente policial sem que se descuide de outros pontos necessários, já que a mobilização das forças de segurança deverá ser enorme.

Na quinta-feira, aliás, Macri já tinha sinalizado a abertura durante uma conferência na cidade de Río Cuarto: “Além de ser uma coisa maravilhosa do ponto de vista esportivo, é uma gigantesca oportunidade para todos os argentinos demonstrarem seu nível de maturidade, como foi nos Jogos Olímpicos da Juventude, onde tudo saiu perfeito. Além da paixão, e eu sou o primeiro nisso, não deixa de ser um esporte. É grande a possibilidade para que realizemos em absoluta harmonia e paz. É importante que façam isso todos os protagonistas do jogo, sentindo que é uma festa. Lamentavelmente, um precisa perder para o outro ganhar. E para quem perder, claramente vai ser duríssimo, por que não sei se esta final vai se repetir. De todas as formas, é preciso desfrutar com respeito”.

Presidente do River Plate, Rodolfo D’Onofrio recebeu bem as declarações de Macri. “Se o presidente da república está convencido de que pode haver público visitante, estamos tranquilos. Não há nenhuma guerra. Será uma final apaixonada, temos que desfrutar e abaixar a loucura”. O dirigente millonario ainda questionou a mudança de data das finais para o sábado. Conforme D’Onofrio, em conversa com o presidente xeneize Daniel Angelici, “os dois se perguntaram quem botou a data para o sábado de tarde”, contando ainda que recebeu muitas mensagens da comunidade judaica questionando a opção.

Embora o Boca x River de 2004 seja o episódio mais famoso com torcida única, o clássico não conta com ingressos aos visitantes desde 2013. O último jogo com a torcida do River na Bombonera aconteceu em maio de 2013. Já no Monumental, o último clássico com a presença dos xeneizes ocorreu em outubro de 2012. O duelo ficou famoso depois que um porco inflável com a camisa do Boca sobrevoou o setor visitante, sob os gritos de “Riquelme”.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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