Argentina

Por que o Newell´s Old Boys merece ser campeão argentino

Às vésperas de conquistar seu sexto título argentino, o Newell´s Old Boys vive um de seus melhores momentos na história. Semifinalista da Copa Libertadores e com duelo marcado contra o Atlético Mineiro, a equipe treinada por Gerardo “Tata” Martino deve mesmo garantir o caneco no próximo domingo ao enfrentar o Argentinos Juniors.

Depois de assegurar a conquista do Torneo Final, o próximo passo do Newell´s é enfrentar o Vélez Sársfield (campeão do Torneo Inicial) na Superfinal para vermos quem é o campeão definitivo da Argentina em 2012-13. Com alguns elementos analisados, é justo que os Leprosos se sagrem campeões, depois de oito anos de espera.

A última conquista dos rubronegros foi o Apertura de 2004, por coincidência superando o mesmo Vélez por apenas dois pontos na tabela. Naquele tempo, Ariel Ortega jogava pelo Newell´s, Ignacio Scocco ainda era um jovem sem muitas chances, Sebá Dominguez era cobiçado pelo Corinthians e Ezequiel Garay começava a chamar a atenção dos grandes clubes europeus.

Olhando para esta campanha de 2013, alguns pilares permitiram ao Newell´s ser superior aos demais concorrentes no campeonato. Partindo dessa premissa, separamos cinco fatores cruciais nessa caminhada.

Tata Martino
O professor

Tata Martino ganhou o grupo do Newell´s. Ele vinha de um ótimo trabalho à frente da seleção paraguaia e chegou no clube com a promessa de bons investimentos e recursos para montar seu elenco. Muito bom na parte tática e observador da postura dos adversários em campo, Gerardo tem em mãos um plantel redondinho e que se comporta muito bem quando pressionado ou enfrentando grandes adversários. Foi assim contra o River na sexta rodada, quando fizeram 1 a 0 em casa, no 3 a 1 contra o Vélez em pleno José Amalfitani, no absurdo 4 a 3 contra o Racing em casa e por fim o 4 a 0 diante do abalado Boca Juniors antes dos duelos decisivos na Libertadores. O único adversário direto dos Leprosos que saiu vencedor de um confronto direto foi o Lanús, que conseguiu 3 a 0 no Coloso del Parque, em Rosario.

Ignacio Scocco
O artilheiro

Ignacio Scocco é um dos principais artilheiros do futebol sul-americano. Habilidoso, com faro de gols e sempre no lugar certo, o camisa 32 é cria do Newell´s e já rodou por vários países diferentes. Aos 28 anos, o atacante já passou por Pumas e Toluca no México, AEK na Grécia e Al Ain dos Emirados Árabes, clube que ainda é vinculado. Ele está emprestado aos Leprosos e está fazendo muito sucesso. Tem 11 gols no Torneo Final e é o matador da competição.

Heinze e Maxi

Os bons reforços

Heinze, Maxi Rodríguez e Cruzado ainda tem alguma ou muita lenha para queimar no futebol. Os dois primeiros, ex-selecionáveis pela Argentina, eram presença constante e com certa reputação na Europa. Heinze já tem 35 anos mas mostrou boa forma (e algumas expulsões) na defesa. Maxi, aos 29, é um dos homens criativos do meio-campo e deixou o banco do Liverpool para ir muito bem no Newell´s. Já Cruzado, aos 28, está emprestado pelo Chievo e se encaixou bem no esquema de Martino, tomando conta da meia-esquerda. Os três deram um ar experiente ao time, que pode contar com uma pitada de talento além da força do grupo.

Melhor ataque do Torneo Final

Os 40 gols marcados representam a melhor marca no campeonato argentino. Scocco, Figueroa, Urruti e Maxi Rodríguez foram os que mais balançaram as redes adversárias. Lá atrás, a defesa não tem das melhores atuações (9ª melhor), com 20 sofridos. Mas ninguém marcou tanto quanto o Newell´s. O San Martín de San Juan até chegou perto, com 30.

Maior número de vitórias

Num mundo justo, quem vence mais partidas deve ser coroado com o título. Mas na prática, não é sempre assim que funciona. O Newell´s também foi bem superior no número de vitórias, com 12. O River Plate, terceiro colocado e segundo que mais ganhou no Torneo Final, saiu vitorioso em 9 duelos. É sério, veja só essa estatística: 18 jogos, 12 vitórias, 2 empates e 4 derrotas. Não tem como não premiar os Leprosos depois de uma campanha dessa. As vitórias mais elásticas vieram contra o Unión (5 a 0), Boca (4 a 0) e Atlético Rafaela (3 a 0).

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Felipe Portes

Felipe Portes é editor-chefe da Revista Relvado, zagueiro ocasional, ex-jornalista, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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