Argentina

Por lealdade a Diego Milito, Sebastián Beccacece anuncia sua saída do Racing após um ano no clube

Após liderar a campanha do Racing até as quartas de final da Copa Libertadores, Sebastián Beccacece anunciou que não seguirá à frente do clube para 2021. O treinador cumprirá contrato até o final da Copa Diego Maradona – a adaptação da liga local neste segundo semestre. Segundo suas palavras, ele preferiu sair em consideração a Diego Milito. O ex-atacante atuava como gerente de futebol da Academia e, por problemas com outros dirigentes, deixou o clube onde foi ídolo logo após a eliminação na Libertadores. Beccacece, então, analisou que não deveria seguir sem Milito e confirmou o adeus neste sábado.

Milito tinha anunciado que não ficaria no Racing antes dos jogos contra o Flamengo pela Libertadores. O Príncipe assumiu como gerente em 2017 e teve papel importante nos sucessos recentes do clube, especialmente ao montar o elenco que se sagrou campeão nacional sob as ordens de Eduardo Coudet em 2019. Também foi ele quem escolheu Beccacece na virada do ano e se mantinha próximo do treinador. O problema de Milito aconteceu com seus superiores, em ano de eleições em Avellaneda. Assim, apesar dos pedidos do presidente Víctor Blanco (reeleito ao cargo) para que o gerente seguisse, o ex-atacante apontou que sua passagem pela Academia se encerraria ao término da campanha na Libertadores.

Antes que Milito saísse, porém, houve um conflito interno no Racing. Adrián Fernández, o diretor de esportes amadores, se infiltrou no vestiário da equipe antes do jogo decisivo contra o Boca Juniors sem ter autorização. Milito não tinha boa relação com o dirigente e houve um confronto entre os dois, com Beccacece e os jogadores tomando parte na briga para defender o ex-atacante. A confusão não foi um fator favorável antes da eliminação do time, com uma atuação apática na Bombonera. Logo depois, Milito encerrou seu trabalho no Cilindro.

Assim, Beccacece preferiu também procurar um novo emprego para 2021. “Tenho o desejo de continuar neste espaço tão cômodo, mas, como todos sabem, Diego anunciou que vai embora e eu vou seguir este mesmo caminho”, declarou o técnico, em sua coletiva. “Esse grupo nos deu o melhor, nos comparamos com Flamengo e River. Houve uma entrega absoluta. O caminho se tornou adverso por causa do ano político. Decidimos com o corpo técnico que vamos dar por finalizado esse ciclo”.

“É com toda a dor, porque tínhamos um projeto muito bonito, com projeção de três anos. Eu adoraria seguir. Às vezes é preciso se guiar mais pelo desejo do que pela razão, mas não é meu caso. Respeito muito Diego, tenho um vínculo de carinho além da relação profissional. Vou com uma sensação incompleta. Já estávamos pensando em seis meses a mais. Eu vivo tudo à flor da pele. O Racing é família, é paixão. Não tenho dúvidas de que vou manter o vínculo com este elenco. Gostaria de ter conquistado um título, mas levarei outro tipo de medalhas. Não são valorizadas pela sociedade, mas são importantes para nós”, complementou Beccacece.

Se não foi impecável, a passagem de Beccacece pelo Racing aproveitou bem o legado deixado por Coudet. O treinador começou muito bem o ano, permanecendo invicto antes da paralisação do futebol por causa da pandemia. Encerrou o Campeonato Argentino na quarta colocação, garantindo a classificação à Libertadores de 2021, e conquistou até mesmo uma lendária vitória sobre o Independiente – com nove jogadores racinguistas, um deles machucado, copando o clássico nos minutos finais. Já neste segundo semestre, o rendimento da Academia caiu. Apesar disso, o time foi capaz de uma classificação histórica contra o Flamengo, mesmo com suas limitações.

O elenco do Racing precisa de melhorias para 2021, mas conta com uma base competitiva. Além disso, Beccacece promoveu a estreia de 13 jogadores da base neste ano em Avellaneda. Hernán Crespo e Guillermo Barros Schelotto estão entre os especulados a substituí-lo. O treinador permanece à frente da Academia para os três últimos jogos da Copa Diego Maradona, sem chances de classificação. Beccacece, ao menos, sai bem cotado. Depois da passagem decepcionante pelo Independiente, o antigo comandante do Defensa y Justicia refez seu nome na nova oportunidade que recebeu em um grande. E certamente terá as portas abertas no Cilindro quando quiser retornar.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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