Argentina

Por conta de desordem na AFA, Argentina corre o risco de não participar das Olimpíadas

As coisas na Argentina não estão nada boas. E não só no que diz respeito à dificuldade de conquistar o tão esperado título depois de anos de jejum, apesar de ter chegado muito perto disso. Os bastidores do futebol no país vizinho vai de mal a pior. A Associação de Futebol da Argentina, a AFA, vive uma crise sem precedentes. No final do mês passado, Luis Segura renunciou ao cargo de presidente da entidade dois dias antes do fim de seu mandato. Ontem, Tata Martino deixou o comando técnico da seleção vice-campeã do mundo faltando um mês para os Jogos Olímpicos do Rio. Os problemas por trás do que se vê são diversos, e, por conta deles, os argentinos correm o risco de não participarem da competição.

VEJA TAMBÉM: [Vídeo] Agora chegou a vez de Deus suplicar para que Messi não abandone a seleção argentina

De acordo com Gerardo Werthein, presidente do Comitê Olímpico Argentino, há 50% de chance da Argentina não conseguir formar um time a tempo para disputar as Olimpíadas deste ano. “É impossível pensar que faltando menos de um mês para os jogos começarem, a Argentina não tenha mais do que dez jogadores”, disse o dirigente a uma rádio argentina. Enquanto as outras 15 seleções olímpicas que brigarão pela medalha de ouro já definiram seus 23 jogadores, a Argentina sequer conseguiu juntar metade dos atletas necessários. “Nós tentamos contornar a situação e falar com presidentes de alguns clubes. Eles são os únicos que sabem o quão importante é o futebol para o povo argentino, e que, hoje, você não conseguir montar uma equipe para ir ao Rio é muito constrangedor”, falou.

Nove jogadores foram oficialmente chamados por Tata Martino, antes de renunciar ao cargo de técnico, para os Jogos Olímpicos. Dentre eles, estão Ángel Correa, atacante do Atlético de Madrid, e Gero Rulli, goleiro da Real Sociedad. O regulamento diz que o resto dos atletas devem ser adicionados de uma lista preliminar. Nesta, divulgada há pouco tempo, estavam presentes os nomes do zagueiro Funes Mori, que defende o Everton, Luciano Vietto e Matias Kranevitter, também do Atleti, e Mauro Icardi, da Internazionale. No entanto, é muito provável que estes jogadores não sejam liberados por seus clubes para jogar o torneio. E, mesmo que fossem, o que tem acontecido em volta do esporte mais popular do país poderia desanimá-los quanto à busca pelo terceiro ouro olímpico.

“O que está ocorrendo com a seleção olímpica é reflexo do que acontece na AFA, onde o que não falta é descuido e negligência”, afirmou Gerardo Werthein. Depois que a instituição foi pega envolvida no maior esquema de corrupção da história da Fifa, o caos, que já se fazia presente na entidade, se multiplicou, e, em pouco tempo, foi instaurada uma das piores crises financeiras da associação. “Isso tem acontecido há meses. Tem muito tempo desde que nós falamos com eles [dirigentes da AFA], mas eles não vêem importância no time olímpico. Nós reclamamos, mas não há ninguém lá com quem nós possamos conversar. Isso gerou uma situação que está deixando todo mundo extremamente preocupado”.

A Argentina está no grupo D e, se conseguir montar o time a tempo, terá Portugal como seu primeiro desafio, no dia 4 de agosto. As outras seleções que compartilham a chave com os argentinos e portugueses são Argélia e Honduras. Um dia após Tata Martino ter se queixado dos oito meses de salários atrasados e deixado o cargo de treinador, a imprensa local começou a especular Julio Olarticoechea, campeão do mundo em 1986 e atual técnico da equipe sub-20, como o próximo responsável por comandar a seleção olímpica argentina. Para o cargo de seu auxiliar, jornais argentinos falam em Diego Maradona. Sim, Maradona envolvido com a AFA novamente. É, as coisas realmente não estão boas para os hermanos.

Mostrar mais

Nathalia Perez

Jornalista em formação trabalhando a favor de um meio esportivo mais humano. Meus heróis sempre foram jogadores de futebol, mas hoje em dia são muito mais heroínas.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo