Perto do fim

Abbondanzieri e Ariel Ortega ficaram frente a frente no River Plate x Boca Juniors. Ambos em final de carreira, ídolos criticados no Superclasico da semana passada. Pato pela falha no gol de falta de Gallardo. Burrito, devido ao pênalti desperdiçado.
Porém, enquanto o goleiro se defende das críticas com o peso da camisa de um ídolo, a penalidade não convertida tomou outra dimensão para Ortega, que assumiu o papel de personagem negativo da rodada. Abatido desde então na última sexta-feira o jogador conversou com seu companheiro Matias Almeyda e com o técnico Leonardo Astrada. Pediu para deixar a concentração e não entrar em campo contra o Lanús, por motivos não revelados, mas bem conhecidos desde a primeira crise, no Apertura 2006 sob o comando de Daniel Passarela: o alcoolismo.
Em recente entrevista 'a revista Trivela, um dos maiores ídolos argentinos dos anos 90 declarou que só queria ser um cara “normal”. Para isso, voltou ao River Plate depois de idas e vindas à Europa, foi acolhido pelos torcedores dos Milionários, passou por um processo de recuperação em Mendoza por quase um ano, o que o levou a atuar brevemente pelo Independiente Rivadavia.
Dispensado do pequeno clube da segunda divisão por “falta de motivação”, retornou e agora vive uma das maiores crises na história de sua equipe.
Porém, sem se recuperar por completo, além de lutar contra o vício e a depressão, Ortega tem a difícil tarefa de encarar o declínio de seu futebol. Incapaz de fazer algo para vencer seu principal rival, sofreu por desperdiçar o pênalti em sua casa e não deixa claro seu futuro para apreensão dos hinchas: “No soy feliz, me voy”, declarou, em mais um capítulo do verdadeiro dramalhão em que se transformou a vida do camisa 10.
De volta ao Monumental se dizendo melhor e devolvendo as esperanças de que retornaria aos gramados, Leonardo Astrada o impediu de treinar. Afirmou que ele não poderia voltar como se nada tivesse acontecido e que deveria internar-se novamente. Intolerância do treinador ou forma de preservar o grupo de mais um problema?
A história segue em aberto. Existe chance de Ariel Ortega abandonar o futebol, mas mudar de idéia como em tantas outras vezes, também seria natural. Entre idas e vindas, o futebol acompanha a derrocada do ultimo ídolo do não menos decadente River Plate.
Enfim a primeira
Depois de mais uma de Lothar Matthäus que esteve para se transformar em novo técnico do Racing e ficou pela Alemanha mesmo, Juan Barbas assumiu a Academia. E levou o clube de Avellaneda à primeira vitória no Campeonato.
Com alguns desfalques, o técnico e ex-jogador da seleção não contou apenas com o acaso para vencer. Mexeu na estrutura do time e corrigiu algumas deficiências. Liberou os laterais, colocou Castromán à frente dos volantes, na armação e manteve Pablo Caballero (que marcou duas vezes, em posição de impedimento).
Barbas apostou no afastado Lucas Aveldaño para substituir Cáceres e o zagueiro marcou seu primeiro gol com a camisa da Academia depois de 32 jogos. Até Pablo Lugüercio, que desde 4 de abril não balançava as redes, desencantou.
Mas o resultado não sensibilizou os dirigentes e o Racing já tem um novo treinador: Cláudio Vivas, ex-Argentinos Juniors e ex-auxiliar de Marcelo Bielsa. A proposta é a realização de um projeto em longo prazo. Difícil….
De volta à segunda?
A goleada por 4 a 0 sofrida pelo Atlético Tucumán para o Racing em Avellaneda resultou no pedido de demissão do já capenga Héctor Rivoira, treinador que levou o time pela primeira vez à primeira divisão do futebol argentino após 22 temporadas. Rivoira deixa El Decano na 17° colocação com nove pontos, posição que provocaria a queda direta do time.
Nos bastidores, sua saída era questão de tempo. Mas após a derrota do ultimo sábado, Rivoira foi tão duro com seus jogadores que teria criado um clima insustentável nos vestiários.



