Argentina

Perto de um panelaço

O San Lorenzo foi campeão do Torneio Clausura em 2007. E só. Em se tratando de Brasil, ainda menos. Quando você ouviu falar do time com algum destaque por aqui, pela última vez? Faz tempo. Talvez seja necessário voltar até o ano de 2002, quando decidiu com o Flamengo a Copa Mercosul de… 2001. Isso mesmo. Uma confusão.

Na época, a manchete de uma pequena notinha do jornal da Folha de S. Paulo, antes do jogo entre os argentinos e Flamengo, era “San Lorenzo vive crise antes da decisão”. É bem verdade que a tal crise, aquela que adiou a final de 19 de dezembro para 24 de janeiro, pouco teve a ver com o que se passava nas bandas do Nuevo Gasómetro. Ainda assim, havia uma crise por lá. Salários atrasados, jogadores abandonando a concentração, bate-bota com os dirigentes. Era esse o cenário do Ciclón entre 2001 e 2002.

Com algum breve período de paz, a crise estampada pela Folha em suas páginas raramente esteve ausente da região de Boedo, nos últimos anos. Pouco foi o efeito daquela campanha liderada por Romeo, Romagnoli e Saja no futuro que se seguiria para a equipe. É uma constatação algo oportunista, pode-se dizer a partir do diagnóstico atual do clube, mas que está bem alinhada com o momento do time azulgrana.

Desde que o River caiu na temporada passada, há a sensação na Argentina de que qualquer outra equipe é “caível”. E dentre os grandes, nem mesmo o San Lorenzo, o menor deles se observado o desempenho mais recente do grupo, está livre da queda para a Segundona. Pelo contrário. Na guerra contra os promedios que times como Boca e Racing projetavam para essa temporada, o Ciclón é aquele que mais sofre com o fantasma do rebaixamento. Uma rápida passada de olho na tabela do descenso, por exemplo, mostra o San Lorenzo lá lutando para fugir.

Está em quarto de baixo para cima – ou seja, em posição crítica – e o pior, com poucas perspectivas de sair de lá. Em entrevista ao jornal La Nación, um analista político comparou a crise que o clube atravessa com aquela enfrentada pelo ex-presidente Fernando de la Rúa em seu governo. Algo bem sugestivo, se levarmos em conta que vem daquele período, no início dos anos 2000, parte dos problemas que atrapalhou a campanha do San Lorenzo naquela Mercosul, contra o Flamengo. E De la Rúa renunciou.

Muito se fala numa possível renúncia também do atual mandachuva em Boedo, Carlos Abdo. Assumiu o time no início do ano, com uma votação histórica, e desde então se deparou com vários obstáculos que praticamente o deixaram abandonado no comando do clube. Entre eles, o financeiro, talvez o menos significativo nesse momento. Para ter uma ideia, em sua empresa, a Publicidade Estática Internacional S.A., a partir da qual construiu sua fortuna, chegou a lucrar 55 milhões de pesos em 2008. No San Lorenzo, a projeção é de que a dívida pule de 102 milhões para 180 milhões ao final da temporada. E mais: não se sabe de onde tirar dinheiro para pagar os compromissos prestes a vencer.

Poderia ser a partir da venda de atletas. Mas esses são os mesmos atletas que, no ano passado, foram flagrados jogando pôquer na concentração, antes de uma partida, e deflagraram uma crise que se estendeu para os gramados e não parece ter encontrado o seu antídoto, ainda. Motivou a queda de treinadores – Omar Asad, ex-Godoy Cruz, não vingou –, a negativa de outros – Américo Gallego foi sondado e rejeitou a oferta antes do acerto com Leonardo Carol Madelón – e o avanço dos barra bravas sobre os jogadores – o zagueiro Jonathan Bottinelli, especulado no Grêmio, foi agredido e quase anunciou a sua saída do Ciclón.

Essa é uma breve descrição do panorama do San Lorenzo, que caminha para o mesmo apequenamento das dimensões de seu campo anunciado por seu presidente e que provocou polêmica até mesmo entre os jogadores. Uma crise técnica, política e financeira, literalmente.

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Equipe Trivela

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