Argentina

Paredes à frente

Na Argentina, o assunto é Palermo. Capa da “El Gráfico” deste mês, o artilheiro prepara a sua despedida do futebol. Para muitos, deveria ser o tema desta coluna. Deixarei para a próxima semana. Martín sai por um lado, levando consigo todo o seu presente e passado de gols, e o futuro entra pelo outro. O Mundial sub-17 está aí, será disputado a partir do próximo 18 no México. Por lá, esperava-se, passaria alguém que representa o que se pode projetar daqui pra frente para o Boca.

Não é o sucessor do Palermo. Longe disso. Está mais para candidato a novo Riquelme – e é essa mesma a pecha (ou fardo, como queira) que carrega desde os primeiros passos em La Bombonera. Craque da geração 1994 do país, Leandro Paredes foi notícia durante esta semana. No giro que o time sub-20 xeneize realiza pela Europa, o meio-campista marcou dois gols em jogo contra o Twente, da Holanda.

Algo noticiado pelo comandante das categorias de base do clube, Pedro Orgambide (@Orgambide), através de sua conta no Twitter. Ainda por esse canal, surgiram as primeiras reações à ausência de Paredes da lista divulgada ontem à tarde para o Mundial sub-17. “É inconcebível que Leandro Paredes, o melhor juvenil da Argentina, não integre a relação. Algo escandaloso”, escreveu um usuário. “A sua ausência se baseia em razões extra-campo por falta de empatia com (Oscar) Garré (treinador)”, completou.

Alguns foram além, chegaram a colocar o jovem jogador no patamar de Lionel Messi para a categoria em que joga. Não é pra tanto, claro. No último Sul-Americano, em que os garotos albicelestes se sagraram vice-campeões, por trás do Brasil, Paredes chegou com muito cartaz, mas demorou a emplacar – sendo em alguns momentos ofuscado pelos colegas Lucas Ocampos e Federico Andrada, do River Plate. Ainda assim, o meio-campista agradou, teve a sua transferência para a Roma cogitada. Representa o futuro argentino, um pingo de esperança para aqueles que ainda acreditam nos enganches.

Mas Garré, não se sabe por quais motivos, preferiu deixá-lo de fora da aventura por gramados mexicanos. Vê o passado se despedir com Palermo, mas se nega a projetar o futuro – ainda mais estranhamente nas condições em que se acha, desfalcado de Andrada, lesionado. Paredes é o representante de uma classe que o próprio treinador, mais uma representante da geração 86 que só se prolifera nas seleções argentinas, ousou cunhar algum tempo atrás, em entrevista ao diário “Olé”.

Ali, ele que viu Maradona joga tão de perto e hoje tem o espaço do craque na história questionado por Lionel Messi, foi perguntado se jovens com o potencial da estrela do Barcelona pairavam por aí. Garré poderia responder bem – antes de comandar o sub-17 platino, esteve à frente do sub-15. E foi realista. Demais? Provalvemente, não. Carregando um sorriso, afirmou que atletas como Messi não surgem todos os dias. Riquelmes e Cambiassos, talvez. Segundo ele, em cada categoria do futebol argentino, é possível encontrar um Riquelme. No sub-17, não era muito segredo para ninguém, quem carrega essa pecha é Leandro Paredes.

Não será mais. A decisão de Garré representa um rompimento com o futuro – a ser justificada apenas por um bom argumento. Enquanto ele não sai, os argentinos ficam a acompanhar os passos do minicraque pela Europa, ansiando por sua volta, enquanto que, na Seleção, mais e mais jogadores vão ocupando espaço. Metade deles sem o talento e o potencial que o meia do Boca possui. Olhos tristes dos torcedores.
 

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo