Argentina

Os meninos de Bichi

A fila para compra de ingressos já era grande às 3 horas da manhã da última quinta-feira. O que não é uma surpresa, já que o grito de campeão permaneceu na espera durante 25 anos e só foi parar mais perto da garganta na penúltima rodada do Clausura 2010.

A conquista veio com a ótima campanha que acumulou 73 pontos. Pelo bom entrosamento do time, ou pela ajuda sobrenatural do fantasma que, segundo o técnico Claudio Borghi acompanhava o time nas concentrações. Ao final, o “Bicho Colorado” foi o campeão merecido.

O título dos Bichi's boy tem como protagonista o técnico Claudio Borghi e suas curiosidades. O atual treinador, que comemorou também o último título do clube como jogador, entrou para a história como o primeiro personagem que foi campeão como atleta e como técnico. Com suas mãos, fez renascer um time que terminou o último Clausura na lanterna e sentiu demais a ida de Pipo Gorosito para o River Plate.

Borghi é do tipo de sujeito que sabe atrair as atenções de maneira positiva. Seu folclórico medo de avião, suas histórias- como a do fantasma- sua maneira de dar liberdade aos jogadores. Além disso, teve a virtude de devolver à equipe sua identidade: a de jogar um futebol “vistoso”. Tanto que a equipe encerrou a competição também com o melhor ataque, com 35 gols marcados.

Foi de Borghi também, a idéia de chamar José Luis Calderón para fazer parte do elenco. Aos 39 anos e 270 gols marcados, o atacante, ressentido por não ter ido ao Mundial de clubes por seu ex-clube, o Estudiantes, foi convencido pelo treinador a não se aposentar e sim, encerrar sua carreira de maneira diferente. Marcou três gols no campeonato e colaborou nos vestiários com sua experiência- era o único do elenco que já havia experimentado a sensação de ser campeão na primeira divisão.

Mas a dose de experiência foi só mais um detalhe diante da inteligente manutenção do elenco pela diretoria do clube. Dos atletas de disputaram o Clausura em 2008, metade fizeram parte da campanha do título. Os volantes Mercier e Ortigoza, por exemplo, jogam juntos há três anos.

Ao grupo já formado, adicionou-se contratações acertadas. Facundo Coria veio do Vélez para ser o “enganche” que faltava. Ismael Sosa, ex-Independiente, substituiu e jogou junto com Pavlovich com eficiência.

Histórica e simpática, a conquista do Argentinos Juniors depois de um quarto de século deixa ainda mais heterogênea a galeria de campeões das últimas temporadas. A equipe de La Paternal é a oitava diferente a conquistar o título nas últimas edições da competição nacional. O que deixa ainda mais difícil o palpite: quem será o próximo?

Gallardo se despede e Almeida fica

“Domingo vou jogar minha última partida. Isso me deixa cheio de angustia, fui e voltei duas vezes”, anuncia Marcelo Gallardo. Sem lugar no time, ele afirmou ter decidido ouvir outras propostas e não seguirá em Nuñez.

“Há dois meses decidi e fiz um comentário de que não sabia se era meu último Superclassico. Depois, o presidente do clube me ofereceu a possibilidade de ficar mais um ano, agradeci o gesto”.

A bandeira exibida na partida entre River Plate e Godoy Cruz, em Mendoza, pela torcida organizada teve influencia direta na decisão do jogador. As ofensas foram feitas supostamente porque o jogador não concordou em doar dinheiro para que membros da torcida viajem para a África do Sul.

Ao contrário de Gallardo, Matias Almeyda pretende seguir no River Plate ao menos até o final do ano. Após conversar com Daniel Passarella, o veterano decidiu pela continuidade.

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Equipe Trivela

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