Argentina

Os históricos do presente argentino

Pode até parecer, mas seleção (e seleções) não é o tema sobre o qual mais gosto de falar ou escrever. Em semana de Argentina e Brasil, no entanto, não dá pra fugir do assunto. Só por isso, e apenas por isso, vamos lá mais uma vez, pela segunda semana consecutiva, abordar o que se passa no reino de Sabella. Uma seleção que hoje em dia se confunde com muitas outras seleções, que não concentra mais o noticiário como antes. Resumindo: que deixou de ser protagonista.

Não lhe faltam protagonistas. Apenas um time que reproduza tal cenário e aja como tanto. Não sou muito afeito a estudos, teorias sobre o que pode ter levado a esse panorama. Repetimos à exaustão por aqui: falando em títulos no profissional, não se vê um desde 1993. Não faltam protagonistas, falta um time e falta história. E é atrás disso que Sabella vai para tentar construir a sua Argentina.

Não se baseia no Barcelona de Lionel Messi, já deixou claro. Baseia-se, sim, na história. São várias as suas ações que dão essa dica. Em agosto, antes de anunciar os seus primeiros convocados, por exemplo, conversou com alguns dos principais jogadores do país, mandou auxiliares à Europa, sustentando sempre uma mesma mensagem: a de que os veteranos não são cartas fora do baralho e que seriam importantes para as Eliminatórias.

Na Argentina, para se referir a esses homens de experiência, utiliza-se o termo histórico. Sabella busca inspiração nos históricos do presente e também do passado. Brasil e Argentina se enfrentam em dois jogos a partir de quarta-feira, pela Supercopa das Américas – uma espécie de Copa Roca do futuro. Para encarar a Seleção de Mano Menezes, o ex-técnico do Estudiantes deu de ombros para a cobrada renovação que exigem para o seu grupo. Chamou Riquelme, Verón e outros atletas que seguramente não teriam espaço seguisse essa renovação em pauta.

Batista deu início a ela, parou e Sabella não a retomou. Não retomou e não retomará tão cedo porque, conforme sugerido no título da última coluna, quem comanda a Argentina tem medo. Sabella não faz segredo, assumiu publicamente ter. Mas ao menos se arma com base em alguma coisa – e que não seja fantasiosa – para se defender. No seu caso, seis jogadores do seu antigo Estudiantes, do atual campeão Vélez e um bom número de atletas de clubes como Boca e Racing. Poderia lançar mão de um time mesclando apenas Vélez e Estudiantes. A julgar pelo momento dos Pinchas, não seria muito recomendado.

De qualquer forma, não é esse um expediente novo. No passado, outros técnicos recorreram a tal estratégia para montarem suas equipes. Caso de Menotti e a sua estreia em 1974, com um combinado de Boca, Huracán e Independiente. Ou mesmo Guillermo Stábile nos anos 50. O saudoso treinador, relembrado nesses tempos de baixinhos como o primeiro baixinho argentino genial, conseguiu a maior diferença de gols no confronto com os brasileiros apostando nesta fórmula ao longo de sua carreira. 6 a 1 Argentina naquele março de 1940, pela Copa Roca.

A Copa Roca deixou de existir e foi ressuscitada como Supercopa das Américas. Para enfrentá-la, a Argentina de Sabella se apóia na filosofia dos históricos do passado. Resta saber, contudo, em qual versão dos Stábiles. Se na dos 6 a 1 de 40 ou se na dos 6 a 2 de cinco anos depois, desta vez em favor do Brasil, por essa mesma Copa. Um torneio de história e por onde os argentinos esperam recomeçar a construir a sua.

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Equipe Trivela

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