Argentina

Os discípulos do Virrey

Engana-se quem acredita que Carlos Bianchi deixou “apenas” títulos em sua passagem pelo Boca Juniors, o que já não seria pouco, diga-se. Mas o Virrey, como é conhecido, fez escola em La Boca. Quando o Torneo Inicial da Primera División começar, no próximo dia 3, três dos seus alunos serão os responsáveis por dar as aulas: Diego Cagna no Estudiantes, Rodolfo Arruabarrena no Tigre e Guillermo Barros Schelotto, junto ao seu irmão Gustavo, no Lanús.

Ademais, Jorge Bermúdez já passara por esta fase e atualmente é comentarista, assim como o mestre, e Martín Palermo aguarda sua oportunidade, mas desde já está “fechado” com sua comissão técnica – Rolando Schiavi, ainda em atividade, e Pato Abbondanzieri. Ironicamente, todos os citados fizeram parte, em algum momento, da gloriosa Era Bianchi no Boca Juniors, entre 1998 e 2001 e 2003 a 2004.

Cagna terá sua oportunidade de ouro no Estudiantes, como o mesmo já mencionara quando apresentado no clube de La Plata. Ele vem de campanhas oscilantes. No Tigre ascendeu a Primera División em 2006 e foi vice nos Aperturas 2007 e 2008, foi ao céu; no Colo Colo, perdeu um título que todos consideravam ganho, em 2010, e após o pior início de temporada da equipe na história, em 2011, foi demitido. Não se deu por satisfeito e foi parar no Newell’s Old Boys, onde o fim é o próprio meio. Em nove partidas, empatou sete e perdeu duas e foi dispensado ao ser eliminado da Copa Argentina para o Patronato, da B Nacional.

Já Arruabarrena pode ser orgulhar do que fez até então. O tempo foi curto – um ano -, mas o feito foi grande. Começou a temporada quase rebaixado e terminou vice-campeão do Apertura 2011 e do Clausura 2012, com direito a uma série de dez jogos invicto.

Quanto aos Mellizos Schelotto pouco, ou nada, pode-se falar. Eles estreiam no cargo nesta temporada. Mas, talvez, nenhum deles tenha absolvido os ensinamentos do mestre como Guille. Ele é o segundo atleta que mais conquistou títulos pelo clube Xeneizes (16), superado apenas por Sebastian Battaglia. Nove destes títulos, foram sob comando do professor.

O Virrey foi mais do que um sagaz conquistador de títulos. Aos poucos as sementes plantadas outrora estão dando frutos. Contudo, só o tempo mostrará qual dos seus discípulos carrega sua verve. E diante da mística de Bianchi até a indagação de praxe – “qual deles superará o professor?” – perde o efeito, pois cada conquista dos seus alunos terá algo seu.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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