Argentina

Onde estão os novos Messis?

Antes de partir para o que interessa, alguns números sobre os trintões da elite argentina, cortesia da revista “El Gráfico”:

All Boys: 13 trintões
Argentinos: 2
Arsenal: 6
Banfield: 7
Boca Juniors: 6
Colón: 7
Estudiantes: 4
Gimnasia: 4
Godoy Cruz: 2
Huracán: 4
Independiente: 4
Lanús: 4
Newell’s: 5
Olimpo: 4
Quilmes: 6
Racing: nenhum
River Plate: 3
San Lorenzo: 4
Tigre: 6
Vélez: 7

O levantamento pode ser encontrado na matéria de capa da edição de março da publicação, que aborda esse novo fenômeno entre os vizinhos. Já demos uma pincelada nisso em outras oportunidades – mostrando, por exemplo, como a volta de muitos desses veteranos ao país, ao contrário do que se vê por aqui, tem muito pouco de marketing. Mas, bem, esse não é o ponto em questão, e sim o status que esses jogadores gozam em seus clubes.

Muitos, sugere o título da matéria, carregando a pecha de craque naquela fase em que estariam vivendo a “idade da razão”. Há quem retruque, e não são poucos os que corroboram, que falta um pouco de emoção, juventude aí. Ingrediente necessário para se emular ou, mais humildemente, complementar Lionel Messi em campo.

Esforço nesse sentido existe, Javier Pastore pode confirmar. O garoto rejeitado pelo Talleres de Córdoba e que explodiu no Huracán após quase se arriscar em uma consulta junto a uma bruxa para afastar a maré de azar no início da carreira, como revelou em entrevista ao jornal “La Nación”, ainda parece distante daquilo que se enxerga, no entanto, como parceria ideal ao atacante do Barcelona – sobretudo, levando em conta o seu atual momento no Palermo.

É um problema a ser resolvido por Sergio Batista, que já esquenta a cabeça após os empates com Estados Unidos e Costa Rica. O discurso do técnico vai nesse sentido. Demonstra convicção em suas atitudes – nomeadamente, ao deixar Tévez fora de sua lista – e preocupação ao mesmo tempo. Ainda na Costa Rica, após o jogo da última terça-feira, ele concedeu entrevista ontem à “Rádio Belgrano”. Deu mostras de que sabe bem do panorama do futebol local e refutou-se a se ver seduzido por ele. “Não posso chegar ao Mundial com dez jogadores de mais de 30 anos”.

E não para por aí. Batista, aquele mesmo designado por Grondona para liderar o processo de renovação da Argentina depois da saída de Hugo Tocalli das categorias de base, se vê sem peça de recâmbio nos times de baixo. O Sub-20, todos sabem, ficou pelo caminho em sua tentativa de atingir a Olimpíada. A Sub-17, por sua vez, não encanta. Como resultado disso, um breve diagnóstico: “hoje, é muito difícil que a base me entregue algum jogador para a equipe principal”. Preocupante? Sim, sobretudo vindo de alguém com o papel de Batista nessa história.

O trabalho não vem sendo bem feito lá em baixo, falta renovação, falta um complemento a Messi e a Copa América, bem, está aí. O foco, contudo, vai além – e há algo de positivo aí, pode ser esse o legado, por assim dizer, de um treinador que, nesta quinta-feira, pôde ser várias vezes flagrado discorrendo sobre os objetivos para 2018 (!). Sim, isso mesmo. Para chegar até lá bem, seja com a sua presença ou não no comando técnico, ele avalia, será preciso uma aproximação junto aos clubes.

“Os clubes precisam mudar suas formas de trabalhar e formar atletas. Na base, temos visto por aí gols de bola parada, partidas terminando em 1 a 0. Isso é uma barbaridade. Elas teriam que terminar em 14 a 14”, analisa.

14 jogadores, o comandante anunciou, já estão definidos para a Copa América. Todos eles vindo da Europa. O futebol argentino, Batista sabe, tem muito pouco a oferecer neste momento, alguns trintões e pouco além disso. “Eles não me servem”, crava o treinador, que encara o dilema de bolar uma forma de se virar sem Messi – sob o risco de esbarrar nas Costa Ricas da vida.

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Equipe Trivela

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