Argentina

Objetivos políticos

Ah, o River. Tinha que falar do rebaixamento do River. Buenos Aires ainda ferve. Pela queda dos Millonarios e também, por que não?, pela aposentadoria de Martín, o Palermo. Pois bem, prometi falar de ambos assuntos nas últimas semanas. Não falei. Sou um péssimo político. Diferente daqueles que estarão a 50km da capital portenha nesta noite e que não podem contar com uma falsa promessa minha, não podem esperar. É, River e Palermo terão que aguardar mais um pouquinho. Até as coisas acalmarem, prometo – ou melhor não, responde o caro leitor.

As atenções estarão todas voltadas a partir desta noite para La Plata, vizinha de Buenos Aires. Lá, a Argentina dá o pontapé em seu sonho de conquistar a Copa América. A caminhada para romper com um jejum de 18 anos sem títulos – desconsiderando as medalhas de ouro olímpicas, que não são profissionais – começa pela Bolívia. Num estádio reformado para 53 mil pessoas estarão os torcedores do Gimnasia, rebaixado ontem à tarde para a Segundona, e também esses mesmos fãs de Palermo e River que leem essas palavras com um certo ar de indignação.

Uma dica: poderão manifestá-la diante de Sergio Batista. Sim, esse político de ouro, termo já cunhado por aqui em outras oportunidades e que tem como inspiração essa condição interina mental que Checho, por mais que se negue a assumir, ainda mantém. Não é algo comum entre seus pares. Treinadores? Não, todos políticos como ele. Essa é a Copa América deles.

Não que tenhamos voltado para 1978, para os tempos de ditatura militar. Nada disso. A Argentina vive hoje uma democracia madura, mas que ainda se faz valer desse apelo que, todos sabem, só o futebol tem. Outra dica? Mais detalhes a respeito disso na revista ESPN de julho que chega a partir de hoje às bancas. Momento jabá de lado, voltemos a ele, o político de ouro, alguém que tem em Messi, Lionel o seu grande cabo político, o cara que escreveu nas páginas do La Nación desta sexta-feira que mudaria tudo para ser campeão com a Argentina.

Um discurso bacana e que precisará ser colocado em prática logo mais à noite, contra Marcelo Martins, o Marcelo Moreno e companhia. Ao seu lado, Leo terá gente boa. Não aquele que havia designado como o seu sócio ideal, Javier Pastore. Perdeu a briga, assim como Di María, para o jogador das massas, Carlitos Tévez. Sabe como é, Batista e a política – ainda que para os torcedores – andam lado a lado. Fechando o tridente na frente, Ezequiel Lavezzi, companheiro de Messi em aventuras como o Mundial Sub-20 de 2005 e os Jogos Olímpicos de 2008.

Não é Lavezzi, tampouco Tévez que surge quando Batista enche os olhos para falar dos outros – aqueles que não são Messi. Mas, sim, Banega, o responsável por ditar o ritmo de um meio-de-campo que carece de jogo vertical, algo acentuado pelas poucas alternativas ofensivas oferecidas pelos laterais. Não só eles. Mas o time como um todo, vai entender, montado por Checho. Um time que, em mais de sua metade – 13 jogadores, 56%, para ser mais claro – se prende a três setores do gramado. Não é preciso dizer, vão faltar alternativas quando a coisa apertar.

Pode não ser agora contra Martins Moreno, mas é bom não perder de vista Falcão García e os costarriquenhos. É um filme que parece se repetir, com personagens mais maduros, um Messi com mais sede, todos desejando emular o Barcelona para tentar fugir de um fantasma chamado Maradona que, talvez não pessoalmente, mas no conceito da coisa, de como se vê em campo e na prancheta ainda se faz presente. Batista, outrora auxiliar e hoje político de ouro, joga as suas cartas para tentar se desvencilhar de um impeachment precoce. A paciência, os meus leitores de River e Boca podem atestar, não é das maiores.
 

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Equipe Trivela

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