Argentina

O Tigre venceu o time de Chiqui Tapia na decisão e celebrou a volta à elite argentina após dois anos

O Tigre tinha sido rebaixado em 2019, mesmo ano em que conquistou a Copa da Superliga, e levou o acesso contra o Barracas Central

O Tigre nunca conquistou o Campeonato Argentino, mas possui uma história respeitável na primeira divisão. El Matador disputou 55 temporadas na elite, presente sobretudo na primeira metade do Século XX. A agremiação ainda soma três vice-campeonatos na liga, todos alcançados já neste século – além do título da Copa da Superliga em 2019 e o vice na Copa Sul-Americana de 2012. E depois de dois anos militando na segundona, os rubroazuis retornam à primeira prateleira do futebol nacional. Nesta segunda-feira, o Tigre venceu o Barracas Central por 1 a 0, na decisão da segundona, e consumou o acesso.

O Tigre sofreu um rebaixamento curioso em 2019, vale lembrar. O clube conquistou a Copa da Superliga, torneio de mata-matas que servia para preencher o calendário. A vitória na decisão aconteceu para cima do Boca Juniors, com Walter Montillo estrelando a campanha. Porém, o time já tinha sofrido o rebaixamento no promédio do Campeonato Argentino, apesar da incrível reação empreendida na reta final. Naquele momento, a Conmebol até tentou mudar seu regulamento para que o Matador não disputasse a Libertadores de 2020 após o descenso, mesmo com o direito conquistado na Copa da Superliga. No fim das contas, a canetada não durou e o clube esteve presente no torneio continental, mas fez uma campanha modesta, na lanterna do grupo que terminou liderado pelo Palmeiras.

O acesso do Tigre ainda não aconteceu de maneira imediata na segunda divisão. Em 2020, o Matador fez uma campanha de meio de tabela na fase de classificação e acabou eliminado logo na primeira fase dos mata-matas de acesso. Desta maneira, os rubroazuis precisaram militar por mais um ano na segundona. Em 2021, ao menos, a equipe não deu margem ao erro e se valeu do excelente desempenho nos momentos decisivos para consumar o retorno à elite.

A atual edição da segunda divisão do Campeonato Argentino dividiu os 35 participantes em duas chaves, com turno e returno. Os campeões de cada chave ganharam o direito de se enfrentar na disputa do acesso. Foi o que aconteceu com o Tigre. A equipe terminou na liderança da chamada Zona A, com 60 pontos conquistados, um a mais que Quilmes e Almirante Brown numa campanha apertada. O Matador permaneceu no páreo de ponta a ponta, mas dependeu de um gás na reta final, com quatro vitórias nos últimos quatro jogos.

Na rodada decisiva, igualado com os 57 pontos do San Martín de Tucumán, o Tigre conseguiu vencer o confronto direto por 2 a 0 fora de casa e tomou a liderança isolada. Com isso, os rubroazuis enfrentariam o Barracas Central, que levou a melhor na Zona B. Um adversário de íntima ligação com Chiqui Tapia, o atual presidente da AFA e que nomeia até o estádio dos alvirrubros. O Matador ganhava a simpatia de torcedores de outros clubes por “enfrentar o sistema” da federação.

A decisão do acesso nesta segunda-feira aconteceu em jogo único, no Estádio Florencio Sola, casa do Banfield. E o Tigre se deu melhor, com a vitória por 1 a 0 sobre o Barracas Central. O gol que definiu a promoção do Matador, aliás, foi uma pintura. Aos 42 do primeiro tempo, Cristian Zabala aproveitou o espaço na intermediária para soltar uma pancada e mandar a bola no cantinho, sem qualquer chance para o goleiro. Foi o suficiente para a comemoração e o alívio dos rubroazuis, de volta à elite.

A taça do Tigre acabou nas mãos de Sebastián Prediger, veterano que foi campeão da Copa da Superliga em 2019 e permaneceu no clube para o retorno à primeira divisão. Outro destaque é o atacante Pablo Daniel Magnín, autor de 22 gols na campanha, num total de 50 tentos anotados pela equipe. Já no banco de reservas, o trabalho foi concluído por Diego Martínez, jovem treinador de 43 anos com experiência concentrada principalmente nas divisões de acesso.

O maior período do Tigre na primeira divisão do Campeonato Argentino aconteceu de 1913 a 1958, com a permanência ininterrupta na elite até 1942, além de duas passagens curtas na segundona de 1943 a 1945 e de 1951 a 1953. A partir de 1959, o Matador passou a basicamente militar nas divisões de acesso. Até a virada do século, só disputou duas temporadas na primeira divisão, em 1968 e 1980. Neste intervalo, passou até mesmo um tempo na terceira divisão. Contudo, a partir de 2005, seriam dois acessos em sequência até a reaparição na primeira divisão depois de 27 anos. Seriam mais 12 participações consecutivas na elite, até a queda recente em 2019. De certa forma, essa volta faz mais jus ao histórico dos rubroazuis.

A segundona do Campeonato Argentino oferecerá mais um acesso em 2021, que será definido num mata-mata. Participarão sete equipes: do segundo ao quarto colocado nas Zonas A e B, bem como o perdedor da final entre os campeões. Por ter a melhor campanha, o Barracas Central foi repescado diretamente à semifinal desses playoffs. Os outros classificados para as semis serão definidos entre: Quilmes x Deportivo Morón, Ferro Carril Oeste x San Martín de Tucumán e Almirante Brown x Independiente Rivadavia. Os jogos das quartas de final e das semifinais serão no formato de ida e volta, com a decisão em jogo único e campo neutro.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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