Argentina

O problema Tevez

Pouco antes do Mundial da África do Sul, a edição inglesa da revista FourFourTwo trouxe em sua capa um Maradona com os olhos esbugalhados e uma pergunta mais ou menos assim: “How do you solve a problem like Maradona? (Como se resolve um problema como Maradona?). O tempo, bem, tratou de resolvê-lo e, ao fim do jogo contra a Alemanha, o craque argentino já tinha o seu destino selado.

Os seus pupilos, não. Messi para um lado. Tévez para o outro. Os dois jogadores que, segundo Diego, não poderiam ser comparados com ninguém no torneio. “Nesta Copa não há um só jogador que chegue a 30% deles”. A frase ficou para a história, assim como, parece, a passagem de Carlitos pela seleção. Não é algo definitivo, claro. O próprio sucessor do agora técnico nos Emirados já tratou de assegurá-lo que não. Mas fato é que, desde a África do Sul, desde a chegada de Sergio Batista ao comando do time albiceleste, o atacante do Manchester City tem sido deixado de lado – jogou apenas contra Espanha e Japão.

É uma situação que nos leva a uma nova pergunta: “How do you solve a problem like Tévez?” É um problema, não sei o maior ou que deva ser tratado como prioridade, aqui parafraseando Batista. Muito se especula sobre as verdadeiras causas desse afastamento do ex-atacante do Boca Juniors. Nesta sexta-feira, o jornal Clarín traz uma matéria que volta no tempo e se situa no amistoso contra o Brasil.

Ali, Tévez alegou ter um problema físico e pediu para ficar de fora. Acabaria jogando poucos dias depois na Inglaterra, algo que, conta o Clarín, teria confessado se arrepender em encontro em Manchester com os auxiliares de Checho, José Luis Brown e Alejando Tocalli. Não pegou bem. Se é que pegou, por assim dizer, pois, para o La Nación, a reunião sequer ocorreu – Brown e Tocalli teriam conversado apenas com Zabaleta durante a viagem.

Verdade ou não, o atacante quer voltar – em um de seus gols contra o Stoke City, na terça-feira, sacou a caneleira com a bandeira argentina e a beijou. Batista não fechou as portas nem mesmo para a Copa América – embora admita que é difícil –, mas já sinalizou que a sua preferência recai por Messi e Higuaín. Algo perfeitamente compreensível. Não nos esqueçamos que, não faz muito tempo, nessa mesma seleção argentina Bielsa preteriu Riquelme em favor de Aimar e Verón.

Artilheiro da Premier League com 21 gols, ao lado de Berbatov, Carlos Tévez não é mais Carlos Martínez. Tem caneleira e, inclusive, chuteira para jogar. Não precisa mais do auxílio de alguém como Norberto Propato, que lhe conseguiu chuteiras emprestadas no passado para levá-lo ao All Boys, para entrar em campo. Carlitos cresceu, aprendeu a falar – só nesta semana, foram entrevistas com três emissoras de rádio (La Red, Del Plata e Belgrano) e de TV (TN, TyC Sports e América), e quer ser ouvido.

Batista reconhece o erro de supostamente não tê-lo procurado – como nega o Clarín –, e pretende fazer contato nos próximos dias. Assim, espera-se, a tal pergunta do início do texto (How do you solve a problem like Tévez?) poderá ser, enfim, resolvida. Até porque, e aqui o colega Claudio Cerviño, do La Nación, tem razão, Tévez não deve ser mesmo tratado com grande problema, prioridade. Lá atrás, e já faz um bom tempo, a coisa não vem bem.
 

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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