O Pior dos Tempos

Tomada por gente e papel picado, La Bombonera vibrava com a vitória por 3 a 0 em cima do Grêmio, com Riquelme e Palácio inspirados, o Boca Juniors comemorava a conquista do mais importante torneio Sul-americano. Nos anos 2000, o time havia triplicado o número de vezes que ergueu a Copa Libertadores, saindo do bi em 1977/78 para fazer cinco finais em oito temporadas. Levou quatro delas.
No futebol argentino, o cenário era igualmente glorioso. Afinal, foram cinco dos seus 29 títulos nacionais conquistados a partir da virada do século. Teve, ainda, dois títulos da Copa Sul-americana e três Recopas no mesmo período. Para completar, faturou um par de Mundiais de Clubes, superando Real Madrid e Milan em duelos históricos no Japão.
Nesta temporada o Boca não disputa a Libertadores, resultado das campanhas ruins em 2009, quando até no torneio internacional, onde virou “bicho-papão”, fez feio ao cair diante do pequeno time uruguaio do Defensor Sporting, (em Buenos Aires!) Mas a ausência xeneize e consequente oportunidade de se dedicar exclusivamente ao certame doméstico não acenam com uma recuperação. Pelo contrário. O time faz seu pior início de temporada nos anos 2000 (veja abaixo). Uma vitória em oito rodadas, cinco empates, apenas oito pontos ganhos.
No período de sucesso boquense, era comum entender que o time ia com tudo na Libertadores durante o primeiro semestre, praticamente abrindo mão do torneio Clausura, disputado no período, para, na segunda metade do ano, atropelar os rivais locais no Apertura. Tanto que dos cinco títulos argentinos acumulados desde 2000, quatro foram festejados em dezembro. Sim, o Boca era capaz de distribuir forças ao longo do ano, de maneira que conciliava a hegemonia nacional com a continental.
Nas oito primeiras rodadas do Apertura 2006, por exemplo, foram sete vitórias, incluindo impiedosos 7 a 1 sobre o San Lorenzon, em pleno Nuevo Gasometro, com três gols de Palermo. Naquele início arrasador, o time só não venceu o Godoy Cruz, no sétimo compromisso do campeonato. A campanha era tão boa que na rodada número nove o Boca venceu novamente, ou seja, dos primeiros 27 pontos que disputou, embolsou 25. Dois anos antes, no Apertura 2004, o início não foi tão avassalador, mas outra goleada sobre um rival de peso ficou registrada: 6 a 0 no Vélez Sarsfield. Carlos Tevez deixou o dele naquele massacre. No mesmo ano, o Clausura registrou 20 pontos xeneizes em oito rodadas. Detalhe: time voltou a vencer os dois compromissos seguintes, acumulando 26 em 30 possíveis.
Em 2010, o cenário chega a ser desolador. A equipe não joga bem há quase um ano e já passou por todas as conseqüências: troca de treinador, depois de uma derrota para o River Plate no que deveria ser um inexpressivo torneio de verão, jogadores afastados, ou que resolveram ir embora, como Abbondanzieri, ídolo do clube.
A falta de resposta do time em campo, sugere uma reformulação ao fim do Clausura. Quatorze contratos vencem no dia 30 de junho e a diretoria parece disposta apenas de seguir apostando nos patrimônios Battaglia, Riquelme e Palermo, já o emprego do técnico Abel Alves parece estar em contagem regressiva.
Apos a derrota por 2 a 1 para o Racing, em casa, Riquelme delatou seus culpados: ‘As coisas foram mal feitas no verão”, referindo-se a queda de Basile. A incompetência da diretoria também foi incontestável na experiência de Bianchi como mannager. E as demissões não foram perdoadas pelo camisa 10.
Como de costume, a instabilidade se reflete taticamente. Desde o início da competição foram oito jogadores testados no meio-campo: Méndez, Medel, Erbes, Prediger, Chávez, Insúa e Rosada.
Independente do resultado no Superclasico, este é o pior Boca Juniors, em muito tempo.
Retrospecto:
O Boca na oitava rodada – pontos ganhos/posição final
Clausura 2010 – 8 / em andamento
Apertura 2009 – 11 / 11º
Clausura 2009 – 11 / 14º
Apertura 2008 – 14 / campeão
Clausura 2008 – 16 / 2º
Apertura 2007 – 16 / 4º
Clausura 2007 – 19 / 2º
Apertura 2006 – 22 / 2º
Clausura 2006 – 16 / campeão
Apertura 2005 – 17 / campeão
Clausura 2005 – 13 / 8º
Apertura 2004 – 16 / 2º
Clausura 2004 – 20 / 2º
Apertura 2003 – 18 / campeão
Clausura 2003 – 19 / 2º
Apertura 2002 – 17 / 2º
Clausura 2002 – 12 / 3º
Apertura 2001 – 12 / 3º
Clausura 2001 – 9 / 3º
Apertura 2000 – 20 / campeão
Clausura 2000 – 18 / 7º
Liderança feita em casa
Contra o Boca Juniors, o Independiente quebrou um jejum ainda maior do que o seu maior rival havia superado na semana anterior, ao vencer na Bombonera: fazia 13 anos que os “rojos” não ganhavam na casa boquense.
Foram rodadas duras para o time de Avellaneda chegar a liderança. No clássico local, na remodelada cancha, a vitória, mesmo que pelo placar mínimo deu moral ao time para a partida contra o frágil River Plate. A vitória por 2 a 0, fez a equipe assumir a liderança do Clausura.
O novo estádio Libertadores de América (referência ao fato de o time ser o mais vezes campeão do torneio, sete) é a grande arma do time na temporada. Foi jogando em “La Doble Visera”, como a cancha ficou famosa, que o time acumulou uma dúzia dos 17 pontos que possui em 24 disputados.
O time venceu todos os clássicos: 2 a 1 Racing, 3 a 1 River, 3 a 0 San Lorenzo, 2 a 1 Boca, 1 a 0 Racing e 1 a 0 River. Dario Gandín é o goleador do time com uma media de 0,5 gols por partida.



