Argentina

O pequeno se faz grande, mais uma vez

O grande jogo do fim de semana é entre Boca e Racing. O clássico e também jogo dos invictos. Acontece no domingo, mas pouco acabará mudando nos rumos do campeonato, praticamente decidido em favor dos xeneizes. É o ano do Boca, do ressurgimento da equipe que vem da despedida dos gramados de Palermo. E também o ano do Racing, que largou neste Apertura sob ameaça do mesmo rebaixamento que já havia derrubado o River na última temporada.

Todo ano, há algum tempo, no entanto, vem sendo igualmente do Lanús. Por trás de Boca e Racing, está lá mais uma vez a equipe granate. Numa espécie de trabalho que dá a sensação de se desenrolar desde que Ramón Cabrero assumiu o time, bateu na trave, foi, enfim, campeão em outra e plantou as sementes para que seu pupilo, Luiz Zubeldía, de carreira prematuramente encerrada, desse seguimento ao seu projeto e repassasse o bastão mais adiante para que o ex-zagueiro Gabriel Schürrer tomasse as rédeas no Sul de Buenos Aires.

Todos são hoje ídolos por lá. Dão sobrevida a uma filosofia de gerenciamento de clube que pode não empolgar a TV – como comprovaram os números de audiência na ocasião de seu título nacional, em 2007 –, mas que já se mostrou exemplar para que o futebol do país consiga fugir do poço em que parece se encontrar. Em comum entre equipes como Vélez, Estudiantes e Lanús, a presença em suas diretorias de dirigentes razoavelmente jovens, cheio de ideias novas e, acima de tudo, comprometidos com o profissionalismo.

Por uma temporada ou outra, acontece de o trem sair um pouco dos trilhos. O Lanús já experimentou isso, o Estudiantes experimenta e o Vélez ainda está por ver. Mesmo assim, eles voltam, sempre voltam. E o Lanús está mais uma vez por cima. A filosofia é a mesma de sempre, com uma mescla entre jogadores surgidos no clube e alguns veteranos trazidos para dar a dose de experiência em campo.

No Lanús de Schürrer, o brilho não é aquele de outros anos, mas segue dando conta do recado. O quesito experiência, por exemplo, é preenchido por atletas como Mauro Camoranesi, Mariano Pavone, Carlos Araujo e o uruguaio Mario Regueiro. Contrabalanceando, surgem os jovens Agustín Marchesín, Luciano Balbi, Matías Fritzler, Guido Pizarro e Mauricio Pereyra. Poderíamos resumir, assim, o Grana. Poderíamos, claro, se desejássemos ignorar outros nomes como Diego Valeri. O meia que foi destaque na conquista de 2007 até vem jogando, mas passou parte do campeonato em baixa por conta de confusões contratuais.

Ainda assim, o atleta conta com três gols em 11 jogos. É um elo de ligação entre o Lanús que deixou para trás o papel de coadjuvante e assumiu um protagonismo que, mesmo não sedimentado, se desenha para os próximos anos. Como estampou o título da matéria do El País sobre a conquista do Vélez na temporada passada, o pequeno se faz grande. Não é a primeira referência dessa linha, na imprensa internacional, nos últimos anos. Uma tendência que vem se firmando cada vez mais quando o assunto é futebol argentino. Sintomático? Imagina.

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Equipe Trivela

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