Argentina

O Messi do Boca Juniors tem mais jeito de Riquelme

A cena foi bem curiosa. Em plena San Juan, no estádio Bicentenario, onde o Boca Juniors estreava na pré-temporada, a torcida do time cantava: “Messi, Messi, Messi”. Tudo porque ele, “Messi”, foi o grande destaque, com um gol e uma assistência no jogo. Claro que não se tratava do craque do Barcelona, capitão e camisa 10 da seleção da Argentina, mas de um garoto de 18 anos. Seu nome? Alexis Nahuel Messidoro, conhecido pelos companheiros apenas como Messi.

LEIA TAMBÉM: Na estreia do novo estádio da Udinese, Dybala brilhou pela Juventus

A partida era entre Boca Juniors e Emelec, em um amistoso de pré-temporada. O Boca, que tem Carlitos Tevez como o grande craque e é também o capitão, venceu por 3 a 0, mas ele não foi o destaque. O número da camisa do craque do jogo foi 28. Um jogador com uma história curiosa e que foi comparado no seu tempo de categorias de base a um craque da camisa 10, Juan Román Riquelme, ídolo do clube. A história desse jogador, que fez a sua estreia neste sábado pelo Boca Juniors, começa com uma peneira que durou só cinco minutos. Nascido em 13 de maio de 1997 em José C. Paz, uma província de Buenos Aires, ele foi em busca do sonho de ser jogador de futebol ao fazer um teste no Boca quando tinha 13 anos. O teste durou apenas oito minutos, o que deixou o pequeno Alexis Messidoro irritado.

“Saí com muita raiva. Não só porque pensei que tinha jogado mal, mas porque também tinha jogado pouco”, contou o jogador em uma entrevista à rádio Mundo Xeneize, da Argentina. Mas na verdade, o pouco tempo não foi porque o seu desempenho foi ruim. Muito pelo contrário. Cinco minutos foi o tempo necessário para Diego Mazzilli, responsável pelo teste, para perceber que aquele garoto tinha um talento acima da média e decidir oferecer a ele um lugar na categoria de base do clube.

Por lá, assim como cá, se debate a extinção do chamado “meia clássico”, jogadores criativos para armar o jogo, pensar as jogadas. Por lá, tanto quanto aqui, se discute que surjam tantos jogadores rápidos e habilidosos pelos lados do campo, mas poucos que consigam ter a capacidade de ditar o ritmo do jogo. Isso não intimida o Messi do Boca Juniors. Alexis Messidoro é um meia, ou enganche, como chamam na Argentina. É a mesma posição de Riquelme, o que fez com que fosse comparado ao ex-camisa 10 do Boca.

“Minha posição natural é de enganche, mas também posso jogar de meia-atacante”, conta o jogador. “Um enganche que faz a equipe jogar mais, busco e tenho contato com a bola, mas me falta velocidade, por isso tenho que trabalhar em uma troca de ritmo”, explicou ainda o garoto. Aquela comparação com Riquelme começou a fazer mais sentido agora? “Riquelme só há um, mas se tenho que me descrever, sou muito parecido. Tenho que treinar para melhorar a marcação e as cobranças de faltas”, disse, sem rodeios, Messidoro.

Com oito gols, Messidoro foi o grande destaque do time juvenil do Boca, comandado por Rolando Schiavi, em 2015. Marcou oito gols no torneio nacional, além de outros dois no Torneio Internacional Franz Josef, na Alemanha, onde o Boca foi vice-campeão. É destro, habilidoso e pode jogar tanto como meia quanto como atacante.

Em uma entrevista ao site Olé, em março de 2015, uma fonte do Boca revelou que o apelido do jogador serviu como arma dos times de base. “Nos jogos, falam ‘Messi aqui, Messi ali’ para mexer com a cabeça dos rivais, que podem pensar ser algum parente de Lionel”, contou a pessoa de dentro do Boca Juniors. Claro, não há qualquer relação de parentesco entre eles. A única relação é de admiração do jogador do Boca em relação ao do Barcelona. “É o melhor jogador que há”.

A história de Messidoro ainda era desconhecida para a maioria dos torcedores. Não para o técnico, o Vasco, Rodolfo Arruabarrena. Na pré-temporada do time, ele tratou de dar uma chance para o jogador, que veste a camisa 28 do Boca, para mostrar a que veio. E o resultado foi muito bom. Marcou um gol e criou a jogada de outro, o gol de Pavón.

Messidoro foi escolhido o melhor do jogo, mas mostrou humildade ao falar sobre o prêmio. “É da equipe, não meu. A equipe fez um esforço para seguir adiante”, afirmou o garoto. “É um sonho estrear e fazer um gol. Estou muito contente por isso”, disse o jogador logo após o jogo em San Juan. Admirador de Messi, mas seu ídolo é Carlos Tevez. O que mostra, ao menos, que ele sabe do que se trata o Boca Juniors. “Ele nos deu a palestra antes do jogo. Nos falou da sua vida, de como chegou à primeira divisão, como foi a sua vida. Foi uma palestra inesquecível”. Pareceu que teve efeito.

O jogo estava 0 a 0 quando Messidoro entroue m campo. Aos 12, tabelou com Tevez e marcou o seu gol, abrindo o placar. Aos 15, fez o passe para Pavón marcar o segundo. Já ao final do jogo, aos 45 minutos, veio o gol de federico Carrizo, em rebote do goleiro, para fechar o placar em 3 a 0. “Tenho que estar tranquilo e aproveitar cada oportunidade que me dão. Meu objetivo daqui a um ano é melhorar a troca de ritmo e o cabeceio”, afirmou ainda Messidoro.

A primeira oportunidade ele aproveitou muito bem. Resta ver como se desenvolverá o jogador. Com tudo que se fala sobre Messidoro, é para ficar de olho. O Boca Juniors pode ter o seu Messi para os próximos anos.

Veja como foi o gol de Messidoro e o seu passe para o segundo gol do Boca:

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo