Argentina

O dia em que, chamado de ‘gordito’, o jovem Maradona destruiu o Boca com quatro gols

A identificação de Diego Maradona com o Boca Juniors, hoje em dia, soa naturalmente. O camisa 10 adora proclamar sua paixão xeneize pelos quatro cantos, isso quando não aparece vestindo a camisa azul y oro nas tribunas de La Bombonera. As duas passagens que teve pelo clube, inclusive conquistando seu primeiro título nacional, referendam a relação. Contudo, o gênio também fez os boquenses sofrerem. Quando era um prodígio avassalador com a camisa do Argentinos Juniors, maltratou os gigantes. E uma partida, em especial, costuma ser bastante lembrada na Argentina: os 5 a 3 do Campeonato Nacional de 1980, que completou 37 anos nesta quinta-feira.

Em tempos nos quais o Boca Juniors atravessava uma seca de títulos, enquanto o Argentinos Juniors se colocava entre os principais times do país (especialmente por Maradona, artilheiro das competições nacionais cinco vezes consecutivas a partir de 1978), Hugo Gatti fez uma provocação desnecessária. O ídolo histórico da meta xeneize não tinha o apelido de El Loco à toa. Às vésperas do confronto entre os dois clubes, os jornais estamparam a declaração: “Maradona é bom jogador, mas estão inflando ele de maneira incrível e me preocupa seu físico. Tem tendência para ser gordinho”. Provocou a fera…

Gatti tentou explicar a Maradona, antes da partida, que não havia falado nada daquilo. Não adiantou muito. Em partida realizada por José Amalfitani, a mando do Argentinos Juniors, o jovem craque de 20 anos humilhou os xeneizes. Anotou quatro golaços. E até o de pênalti merece este rótulo, arranjado após um toque de letra do craque, que converteu para empatar a partida já depois que o Boca Juniors havia aberto a contagem. Espíndola virou para os mandantes na sequência do primeiro tempo, antes que os xeneizes voltassem a empatar. Mas o camisa 10 resolveria, de maneira magistral. Ele faria seu segundo gol na partida, o terceiro de sua equipe, cobrando falta praticamente espírita, quase sem ângulo, quando Gatti ainda se posicionava. Maldosa, a bola bateu na trave antes de entrar.

Já no segundo tempo, mais Maradona. O craque matou no peito e deu um toque sutil na saída de Gatti para completar a sua tripleta. Pois cabia mais. E ele fechou a conta em outro tiro livre, arrematando no ângulo, sem qualquer reação de El Loco, totalmente perdido no meio do caminho. Ao final, os boquenses descontariam, mas precisaram engolir a seco a vitória de virada do Argentinos Juniors por 5 a 3, quatro gols do gênio. Diego deixou uma atuação para a história. E três meses depois, já vestiria o azul y oro, cedido ao Boca.

Para ler mais sobre este momento de Maradona, vale conferir o post do amigo Caio Brandão no Futebol Portenho, publicado em 2015.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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