Argentina

O desabafo de Tevez: “Há dias em que me pergunto por que merda eu voltei”

Há um enorme perigo nas tentativas de reviver bons momentos do passado. Nunca são iguais. Nossa memória afetiva tende a esquecer as partes ruins e se concentrar apenas nas boas. É a receita da frustração. E embora Tevez não tenha se arrependido de voltar para o Boca Juniors, desabafou em entrevista à TyC Sports sobre a sua decisão de trocar a Europa pela Argentina: “Há dias em que me pergunto por que merda eu voltei”.

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Isso não significa que Tevez está de saída do Boca Juniors, como as especulações do começo do ano indicavam. Disse que ficará no clube e está animado por trabalhar com o novo técnico Guillermo Barros Schelotto, por mais que não goste de jogar de centroavante, posição que vem ocupando desde a lesão de Osvaldo.

O problema é a fase terrível do Boca Juniors, o atual campeão argentino: nesta temporada, conseguiu vencer apenas três jogos em todas as competições. São as únicas três vitórias do time desde o começo de novembro do ano passado, em 17 partidas.

Veja os principais trechos da entrevista:

Momentos de frustração

Há dias em que me pergunto por que merda eu voltei. Essa pergunta me faço quando as coisas vão mal ou quando há muitas críticas destrutivas. Mas tenho clara a resposta: voltei pela minha família, pelo clube que amo e para que o Boca seja melhor. Não vou embora. Vim para ficar e dar alegria aos torcedores.

A fase do time

Não vou salvar o Boca Juniors sozinho. Quem me conhece sabe que dou a cara a tapa. Mais de uma vez coloquei a cara para fora e continuo fazendo isso. É óbvio que estamos em dúvida sobre nós mesmos. É claro que futebolisticamente estamos em dúvida. Não estamos jogando bem.

O tempo passa

A cada dia que passa, vou diminuindo, não crescendo. A dor dos golpes que recebo duravam um dia, hoje duram três ou quatro. O meu corpo mudou, me custa mais. Não é fácil para mim.

Centroavante ou segundo atacante?

Se me perguntam em qual posição me sinto melhor, é de segundo atacante. Hoje, o camisa 9 é o que briga um pouco com os defensores e a verdade é que já estou grande demais para fazer isso. De segundo atacante, é como se eu fosse o enganche de outros tempos. Estou toda a hora com a bola nos pés e posso chegar ao gol. Hoje eu me sinto cômodo assim.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.
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