O centro das atenções

A terceira rodada do Apertura foi concluída com uma vitória por 2 x 1 do Rosario Central contra o River, no Gigante de Arroyito. Esse resultado fez com que os Canallas se mantivessem na primeira posição, ao lado do Vélez. Cada um com 100% de aproveitamento. O Central estava satisfeito com a colocação, mas não estava gostando da companhia do Vélez. Seu desejo foi realizado…
Em seu compromisso seguinte, a equipe de Rosario enfrentou o Chacarita, no estádio do Huracán, e ganhou pela contagem mínima. Quatro triunfos em quatro compromissos. Desde que começaram os torneios curtos na Argentina, em 1991, este é o melhor começo dos Canallas. Já o Funebrero é o único da competição que ainda não tem ponto. Além de vencer, o Central viu o Vélez receber o San Lorenzo e empatar por 0 x 0. Liderança isolada para o Central, que conta com uma juventude boa de bola.
Os 11 titulares da rodada passada fizeram com que a média de idade fosse de 22,18 anos. Vamos à escalação: Broun (23); Chitzoff (29), Guillermo Burdisso (21), Braghieri (22) e Núñez (21); Gómez (19), Paglialunga (21), Milton Zárate (21) e Moya (22); Zelaya (22) e Castillejos (23). Jesús Méndez, meio-campo e capitão nas três primeiras partidas do torneio, sofreu um traumatismo nas costelas no confronto diante do River e acabou ficando de fora do jogo contra o Chacarita. Ele tem 25 anos e foi substituído por Zárate, que ainda não havia estreado no time. Caso Méndez tivesse atuado, a média aumentaria para 22,54, mas não seria uma mudança tão considerável. Fôlego não vai faltar para os comandados de Ariel Cuffaro Russo.
Recordista lesionado
O zagueiro Schiavi viveu um momento inesquecível na semana passada: contra o Paraguai, nas Eliminatórias da Copa do Mundo, disputou sua primeira partida pela seleção argentina, com 36 anos e sete meses de idade. Ele entrou em campo aos 34 minutos do segundo tempo, no lugar de Sebá, e se tornou o atleta mais velho a estrear no time ‘albiceleste’. O recorde pertencia ao atacante Fuertes, que havia jogado pela primeira vez em maio, contra o Panamá, com 36 anos e quatro meses. Todavia, esse fato especial na carreira de Schiavi foi encoberto pela vitória do Paraguai. Para a tristeza de Schiavi, a semana ainda iria piorar.
Na sexta-feira, o zagueiro foi titular no confronto entre sua equipe, o Newell’s, e o Argentinos Juniors, em Rosario. Com apenas nove minutos da etapa inicial, Schiavi teve que deixar o campo, devido a uma contusão. Quem entrou em seu lugar foi Machuca, que acabou cometendo o pênalti que originou o único gol do confronto. Essa foi a primeira vez em que o Bicho ganhou em torneios nacionais depois de 10 jogos (seis empates e quatro derrotas). Inclusive, o Argentinos Juniors não vencia como visitante em campeonatos nacionais havia 11 partidas (seis empates e cinco derrotas).
Costa Rica, aí vou eu!
Ficou ainda mais complicado para a Argentina. Com a derrota por 1 x 0 para o Paraguai, em Assunção, e a vitória do Equador diante da Bolívia, em La Paz, a seleção ‘albiceleste’ caiu para a quinta posição nas Eliminatórias. Portanto, teria que disputar a repescagem contra a Costa Rica se a competição terminasse hoje. Isso faz com que todos recordem a situação vivida em 1993, quando a Argentina enfrentou a Austrália na repescagem. Aliás, Maradona participou dos dois jogos naquele ano e ajudou sua equipe a se classificar. O problema é que agora ele não pode mais entrar em campo e não tem conseguido bons resultados como técnico.
O ideal seria que Maradona deixasse o cargo, pois os riscos de a Argentina não ir à África são grandes. Mas ele já disse que vai cumprir seu contrato e que vai conseguir a classificação. Como? Temos que aguardar para ver. Uma coisa é certa: o presidente da AFA, Julio Grondona, não está nada satisfeito. Após a última rodada, Grondona sugeriu a Maradona que escutasse mais o secretário técnico da seleção, Carlos Bilardo. Vale lembrar que Bilardo comandou Maradona nas Copas do Mundo de 1986 e 1990.
Aproveitando o espaço, quero dar uma dica para os fãs do futebol argentino: o livro “BRASIL x ARGENTINA – Histórias do maior clássico do futebol mundial (1908-2008)”. O autor, Newton César de Oliveira Santos, caprichou na pesquisa e mostrou a história do futebol em ambos os países, incluindo resumos sobre as carreiras de grandes jogadores dos dois lados e todas as fichas do clássico (até 2008). Uma seção bastante interessante é a das fotos. Em uma delas, aparecem Dunga e Maradona, se enfrentando na Copa do Mundo de 1990. No atual momento em que se encontra a seleção argentina, este livro é um ótimo remédio.



