Argentina

Nem tanto ao céu, nem tanto ao inferno…

Cruzeiro, Atlético Mineiro, Palmeiras, Fluminense… Aos 34 anos e no auge de sua inatividade – sete meses sem atuar -, a figura de Juan Román Riquelme ainda permeia o imaginário coletivo dos clubes e torcedores brasileiros. “Craque é craque”, explica o clichê, mas ao adquiri-lo não pode-se apenas levar em conta este aspecto.

O meia é uma daqueles futebolistas que é difícil analisá-lo sem o devido distanciamento. Mas diante de sua história futebolística – para o bem e para o mal -, faz-se necessário não lembrar apenas de sua técnica refinada, afinal, Román é tão protagonista extracampo, quanto dentro das quatro linhas.

Conflitos pessoais. Seu histórico de conflitos pessoas é grande, muitos deles fruto de sua personalidade forte, com a pitada de arrogância latente. Só para citar alguns dos nomes: Manuel Pellegrini, José Pekerman, Julio Cesar Falcione, Maurício Macri, Lionel Messi, Diego Maradona e Martín Palermo, com este último somam-se outros a reboque.

Lesões. Desde seu retorno ao Boca Juniors, em 2008, JR sofreu com diversas lesões. Em março do mesmo ano teve uma ruptura fibrilar no adutor direito e parou por um mês; em outubro do ano seguinte sofreu uma ruptura parcial da fáscia plantar e parou por quatro meses; três meses depois parou por seis meses após uma inflamação no menisco do joelho esquerdo; em fevereiro de 2011 teve uma inflamação no calcanhar direito e sinovites no joelho esquerdo, parando apenas por 15 dias. A cereja no bolo é a companheira de sempre, a fascite plantar.

Aliás, poucos sabem que Riquelme passou por tratamento com bolsa gelo para poder atuar na final da Copa Libertadores 2012, ante o Corinthians, no Pacaembú. O final todos já sabem.

Valor. Embora não esteja no auge de suas condições físicas – aliás, não recordo esta época – e do vigor técnico, que lhe é peculiar, especulam que as cifras das negociações giram entre R$ 430 mil (Palmeiras teria lhe oferecido) e R$ 700 mil (ele teria pedido ao Fluminense). No primeiro caso, só o nome justifica. No segundo, nem o nome justifica, visto que o valor é acima dos demais “astros”, que atuam no futebol brasileiro, exceto Seedorf, que recebe em torno de R$ 720 mil.

Román não é apenas confusão, lesão e custo, mas também pode ser benefício e qualidade, dentro de suas limitações. Sua lentidão é compensada com o toque refinado, visão de jogo, lançamentos, passes e cobranças de faltas ímpares. Atualmente, tudo com ressalvas, claro. Entretanto, ele ainda pode ser importante mais pelo peso que seu nome carrega do que pelo que ainda pode apresentar. Em um clube carente de ídolos ele cairá perfeitamente, por exemplo. Aliás, quanto menos nomes midiáticos houver no time melhor. Contudo, se o clube é carente de projeto, não será o argentino que o dará.

Vislumbro no futebolista hoje um jogador acima do razoável, mas se quiserem vê-lo em atuações sensacionais no Brasil, sugiro alguns tapes de jogos do Boca Juniors na Copa Libertadores de 2000, 2001 ou 2007.

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