Argentina

Mundo Boca: o futebol é um detalhe

“O Boca [Juniors] é minha casa e sempre vou estar à disposição”, declarou Juan Román Riquelme, ironicamente poucos dias depois de, finalmente, Daniel Angelici decidir sobre o prazo de permanência do técnico – e desafeto do ídolo Xeneize -, Julio Cesar Falcioni: 31 de dezembro, data em que se encerra seu contrato.

O camisa 10 deixou o seu clube de coração com um argumento muito romântico de não poder jogar pela metade e uma grande desavença no vestiário. O que é comum vindo dele, diga-se. Quatro meses depois, Román, aos 34 anos, voltou a ficar inteiro, e com certeza, ficará melhor em dezembro, quando deve se reunir com a direção Boquense. Não esqueçamos que, “por coincidência”, JC se vai nesta mesma época.

Voltando a Angelici. Ele, que por ser macrista por osmose é anti-riquelmista, começa a viver os dias mais difíceis em sua gestão, pois começou a ter de tomar decisões futebolísticas. Aliás, a decisão de não renovar o contrato do treinador foi sua primeira atitude nesta esfera. Até então tudo que dizia respeito a isso era solucionado pelo tempo ou pela omissão, não por posições dele.

Outrora, quando optou pela permanência de Falcioni, o fez por respeito ao êxito alcançado pelo treinador – o título do Apertura 2011 -, e acatou a saída de Riquelme, após a derrota na Copa Libertadores para o Corinthians, porque foi o que lhe restou naquele momento, por conveniência. Afinal, JC foi a arma que ele encontrou para afastar o meia.

Ademais, abre-se outro imbróglio. Para a vaga de treinador, nomes especulados não faltam: Guillermo e Gustavo Barros Schelotto, Rodolfo Arruabarrena, Martín Palermo e o eterno especulado Carlos Bianchi. Dos citados, apenas Arruabarrena possui boa relação com o enganche. Schelotto, segundo fontes internas, foi o eleito, porém só para junho de 2013, e Palermo seguem correntes opostas. Quanto ao Virrey, apesar de Maurício Macri desviar qualquer atrito já é sabido que trata-se de um nome que não agrada-lhe. E sim: Macri é levado em consideração pelo presidente, afinal, foi seu mentor.

No momento bem oportuno – anúncio da saída do treinador, péssimo futebol apresentado pela equipe, perda do título da Copa Argentina e as rodadas seguintes ser contra as duas candidatas ao título do Inicial -, o Román jogou fora suas declarações e depositou a responsabilidade nos dirigentes. Dentro de campo, o Boca não rende e “todos” sentem sua falta. Mas, claro, seu retorno terá muitos condicionamentos. Logo, a eleição do treinador não é apenas um detalhe.

Dezembro se avizinha e novas decisões futebolísticas terão de ser tomadas. Basta saber como finalmente se portará Angelici, no papel de presidente do Boca Juniors: como refém de Riquelme, marionete de Macri, deixará novamente o tempo ou a omissão agir por ele ou tomará uma atitude. Aguardar…

As marcas de Lio…

Após os dois gols contra o Mallorca, no último final de semana, Lionel Messi anotou 76 gols no ano e superou Pelé, que havia marcada 75 tentos, em 1959. Agora as atenções estão voltadas ao alemão Gerd Müller, que fez 85 gols, em 1972. Lio ainda pode disputar dez partidas neste ano – entre Seleção e Barcelona.

Ademais, la Pulga, que já marcou 31 gols pela Seleção, está a três gols de superar Diego Maradona (33 gols) e quatro de Hernan Crespo (34). No maravilhoso amistoso desta quarta-feira, às 15h (horário de Brasília), contra a Arabia Saudita, em Riad, ele terá uma chance. Só espero que a marcação em Messi dentro de campo não seja igual ao do aeroporto. O futebol agradecerá.

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