Argentina

Modelo para os argentinos

Ángel Cappa é desses românticos da bola. Assumiu o River com a tarefa de sacá-lo da briga contra o rebaixamento. Vai bem até aqui. Mas sonha com muito mais. Sonha com um River que vença os jogos encantando os torcedores. É o tal tiki-tiki. Bola de pé em pé, nada de chutão, chuveirinho na área. Uma filosofia que fez muito sucesso durante a sua passagem recente pelo Huracán. Contava com gente como Defederico e Pastore ali.

Os personagens, hoje, são outros. Mas não importa. Cappa vai atrás de seu objetivo. É uma exceção à regra. Quase que um revolucionário no meio do futebol. Briga sozinho contra o sistema. Alguém em quem muitos deveriam se espelhar. Um verdadeiro professor, e com o seu conhecimento ao alcance de qualquer um – mantém um blog na grande rede.

Passadas três rodadas no Apertura, divide a ponta do torneio com o Vélez. Um time do qual se diz admirador. Logo após a estreia no campeonato, saiu a elogiar o Fortín. Segundo ele, era a única equipe que havia realmente agradado naquela jornada inicial. Não surpreende.

Em três jogos, já são três vitórias. Todas elas à custa de bom futebol. Fruto, e nisso ninguém discorda no país, da sequência de trabalho. Não chega a ser uma receita nova. Mas vá falar isso aos dirigentes, que insistem em partir, ano após ano, no caminho contrário. Em Liniers, não. Não seria a perda do título para o Argentino Juniors que faria as coisas mudar por lá.

Do Clausura pra cá, alguns jogadores saíram, é verdade. Exceção feita a Otamendi, ninguém, no entanto, que tenha feito o técnico Ricardo Gareca perder a cabeça – Hernán Rodrigo López, Marcos Torsiglieri, Leandro Caruso e Rolando Zárate foram algumas das outras baixas.

Para substituir essa turma, o Fortín foi atrás de Fernando Ortiz, já pensando na venda de Otamendi, e Augusto Fernández, um acréscimo de sensível qualidade para o seu meio-campo. E que tem feito valer essa impressão nesse início de campeonato.

O Vélez é o time que pratica o melhor futebol da Argentina. Uma inspiração em meio a equipes que ainda passarão alguns jogos em busca da formação perfeita, depois de tanto contratarem na última janela. Tudo isso bancado, de certa forma, por uma dupla que tem dado o que falar. O velho e bom baixinho Maxi Moralez e o excelente Juan Manuel Martínez, agora mais titular do que nunca. São eles os responsáveis por impulsionar o clube ao posto de favorito absoluto ao título.

Ainda há muito a ser jogado do outro lado da fronteira. O conjunto está lá, talvez falte alguma maturidade – nove dos 30 jogadores da equipe possuem menos de 20 anos –, mas nada indica que o Vélez irá sair da trilha que parece estar percorrendo. E que, para o bem do futebol argentino, pode levá-lo ao título. Seria o prêmio à seriedade no trabalho, algo tão em falta por aqueles cantos.

Pela federalização do futebol

Pode parecer que não, mas Grondona não ficará eternamente à frente do futebol argentino. Um de seus últimos atos, dizem, deverá ser a organização da Copa América no ano que vem. Parará por aí? Bem, ao que parece, não.

Começa a ganhar cada vez mais força no país o papo de que o cartola, antes de sua despedida, pode ressuscitar a Copa Argentina. Disputada pela última vez em 1969, ela voltaria a ser jogada a partir do ano que vem. Englobaria times de todas as categorias, desenrolando-se entre fevereiro e outubro – com a entrada dos times da elite a partir de julho.

Seria uma forma de agradar os clubes de divisões menores, insatisfeitos no momento com a parte da grana da TV que lhes é repassada. Mas há muito mais em jogo, claro. Não dá pra pensar que se trata apenas de um ato de boa fé. Existe toda uma rede de interesses por trás. Reunir o país em torno da Copa América, por exemplo. É uma das preocupações de Grondona. Fazer um agrado à presidente Cristina Kirchner e o seu projeto de futebol para todos é outro.

Enfim, seria algo bacana para os argentinos. Ajudará a expandir mais o futebol, colocaria os pequenos na vitrine e deixaria todos – ou quase todos – felizes. Sim, porque, além de uma premiação pomposa, existe o desejo de que o seu campeão venha a disputar a Sul-Americana ou até mesmo a Libertadores. É esperar pra ver o que dá.

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Equipe Trivela

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