Messi é o combustível

Em sua edição desta sexta-feira, o Clarín traz uma coluna opinativa que destaca a mudança de ânimo da Argentina e se atém especialmente a Messi. Não é algo novo, mesmo Guardiola, técnico do Barcelona, já discorreu a respeito do tema por aí – algo como “para saber se o time vai dar jogo, preciso observar o rosto de Leo”. E parênteses abertos, ainda há quem ouse subestimar o papel do argentino na equipe catalã, diminuir sua importância. Nem tanto ao céu, nem tanto a terra. Messi é importante, assim como Xavi e Iniesta também o são.
Mas, bem, estes dois não se encontram na Copa América. Lá, está Lionel, a quem, retornando ao Clarín, descrevem como alguém que não coloca o time nos ombros e o carrega – é esse mesmo o papel que se espera dos craques? Reforço: é esse o único parâmetro para se julgar a importância de um jogador? Pois bem, não é, e o jornal argentino se estende um pouco mais em sua análise: “Messi mostra o caminho e contagia por seu jogo”.
Falta combustível no país. Muitos colegas já foram prejudicados por conta disso na cobertura da competição. Não falta combustível na Argentina. Messi é o combustível. Foram três jogos até aqui, jogados na íntegra, em seus 270 minutos. Para muitos, a estreia oficial do atacante aconteceu apenas na última rodada, na vitória por 3 a 0 sobre a Costa Rica, na hora do popular “vamos ver”.
Mas os números, sim, os números – dos quais não são muito fã, sobretudo, para se construir textos –, estes números mostram um Messi que se desdobrou para fazer o que pôde em campo. Um Yaya Touré, como chegaram a comparar na primeira rodada, alguém esquecido na frente em sua segunda partida e Lionel, apenas Lionel na despedida da fase de grupos.
Ao todo, mostra a excelente Opta Sports, foram apenas cinco arremates a gol até aqui – mesmo quantidade de chutes bloqueados, aliás. No ataque albiceleste, somente Lavezzi e Tévez ficam por trás, com quatro, cada. Agüero, com 9, e Higuaín, 8, lideram as estatísticas. Messi faz a diferença de outra forma, assumindo um rol que, se esperava, não deveria ser o dele, mas talvez do seu tal sócio – Pastore em sua opinião, Banega no julgamento de Batista ou Agüero por força das circunstâncias. A tarefa de armar as jogadas na frente. Foram 192 passes saídos de seus pés até aqui. Um aproveitamento de 89% – ah, o Barcelona.
Mas isso não interessa muito, concordam? E na tal hora do “vamos ver”, como foi o caso da Costa Rica, quantos passes para chute a gol foram dados? 15. Ninguém foi tão preciso na Argentina. Desses, dois acabaram em gol. Dois dos quatro gols da Argentina até aqui no torneio. O time melhorou. Messi melhorou. Das manchetes de “Messi está mal” temos agora títulos como “Messi ri”. Messi ri não porque a equipe, como sempre apregoou Batista desde a sua chegada, mudou para ele, para jogar para ele. Ri porque a Argentina despertou para a sua Copa América, para enfrentar o Uruguai em sua segunda decisão no campeonato. Não pode faltar combustível, Leo sabe disso.



