Argentina

Messi de ouro

Tipo de coisa que não aconteceria se Messi fosse um garoto normal. Mas, bem, ele não é. Poucas vezes, aliás, desde quando estourou no Barça pôde se sentir realmente à vontade em algum lugar, andar sem que alguém lhe importunasse ou seguisse os seus passos. Algo raro, vivido vez ou outra durante suas viagens pelos Estados Unidos, país onde o futebol caminha, mas ainda não é aquilo que se vê pelo restante do mundo.

Lionel relembra, apenas em passeio com a família por Los Angeles e jogo recente com a Argentina em Nova York ele pôde sentir essa sensação. Ali, talvez não saibam de sua fama. De que tudo que toca vira ouro. A seleção é um exemplo disso. Se em janeiro de 2003 visitava Honduras sob o cachê de US$ 100 mil dólares, em março passado voltava para terras centro-americanas, para enfrentar a Costa Rica, por um valor dez vezes maior. Os dirigentes não pestanejam em afirmar, algo que se deve ao fator Messi.

Mas corrijo. Tudo, não. Quase tudo que Messi toca vira ouro. Pode parecer que não, Leo é um jogador tranquilo, família, avesso à badalação comum a muitos de seus companheiros, porém há também espaço para polêmica em sua vida. Não chega a ser assunto novo, sempre existiu por aí o papo de que o patrimônio do craque não era assim administrado da forma mais correta possível.

Pois bem, eis que na última semana surgiu a notícia de que uma espécie de sócio, agente, empresário estaria cobrando da família de Messi algo em torno de € 100 milhões. Não é pouco dinheiro. Mas o tal agente, em entrevista concedida à revista “Noticias”, explica o desenrolar da coisa – clique AQUI para ler. Ainda é cedo para se sacar alguma conclusão, mas, em breve, deveremos ter uma ideia de onde isso irá parar. Nos próximos dias, revela a matéria, deverá ser julgado em Gilbratar se a ação de Rodolfo Schinocca, o empresário, é mesmo procedente.

Em Gilbratar? Pois é, Schinocca, um ex-jogador revelado pelo Boca e que atuou pelo clube durante apenas sete partidas – sustentando o retrospecto de dois empates e cinco derrotas – foi o encarregado pelo clã dos Messi por cuidar da carreira e dos contratos do jogador durante os seus primeiros passos no Barcelona. Literalmente. O agente, que na época administrava a imagem do uruguaio Diego Forlán no mercado, foi apresentado à família ainda em 2004, pouco depois de um amistoso entre o Barça e o Porto.

Dali em diante, firmariam um acordo para a criação de algumas sociedades – dentre elas, esta em Gilbratar – responsáveis por absorver o dinheiro dos contratos do argentino e livrá-lo da cobrança pesada de impostos. A relação teria se desenvolvido até 2006, quando, então – e as versões são opostas –, Schinocca teria pisado na bola com os Messi na ocasião do recebimento de um pagamento da Adidas.

Ele nega e promete ir até o fim com isso. Diz se sentir injustiçado. Conta na entrevista à “Noticias” ter chegado a investir US$ 500 mil e emprestar sua BMW ao jogador para que ele pudesse atrair alguns patrocinadores nessa área. Quer € 100 milhões pelo que deixou de receber durante os últimos anos e pelos danos que, alega, essa confusão lhe causou. Messi pai prefere não se pronunciar, mas, nesta altura, deve estar se sentindo mais ou menos como confessou algum tempo atrás, também em entrevista à “Noticias”. Um homem amargurado.

Lionel sonha em ser tratado como um garoto normal. Pagaria até para ver a atenção, o glamour que o cerca por onde vai de lado. Mas as coisas não são tão simples assim. E ele pode descobrir da pior forma através da Justiça.

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Equipe Trivela

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