Argentina

Menotti: “A genética do futebol argentino tem a técnica do brasileiro e o caráter do uruguaio”

A Asociación del Fútbol Argentino (AFA) tem um novo diretor de seleções. Novo no cargo, velho em história no futebol do país: César Luis Menotti, lendário treinador campeão do mundo em 1978 e um dos grandes treinadores da história. O treinador falou em sua coluna no jornal Sport, de Barcelona, sobre o seu novo cargo, a sua missão e algumas visões sobre o futebol argentino. Menotti, de 80 anos, falou sobre jogar como o Barcelona de Pep Guardiola, sobre usar o mesmo sistema na base e sobre a genética do futebol argentino, que ele definiu de maneira interessante.

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“Como novo Diretor de Seleções Argentinas, meu compromisso parte da lealdade a uma condução e a um objetivo: recuperar a essência e a genética do futebol argentino. Este projeto no qual me embarco tem como fundamento a necessidade de uma organização para o desenvolvimento do futebol argentino e o futebol de seleções, em uma estrutura que lidera o presidente da AFA, Claudio Tapia. Minha tarefa principal será dar um marco de trabalho para os treinadores, defender sua tarefa, escutá-los, acompanha-los”, explicou o lendário treinador.

“Temos que nos fixar como meta recompondo a relação com o futebol argentino. Os tempos de trabalho, os contratos, os calendários, quando treinamos, onde jogamos. Tudo o que faz a organização é fundamental. Uma das minhas tarefas será garantir isso. Incluindo avaliar se é necessário que se juntem especialistas do exterior, porque temos que nos nutrir de todas as ideias”, afirmou ainda Menotti. “A Copa da Rússia foi uma ruptura. Estivemos a pontos de não nos classificarmos e quebrar um processo com a chegada de três treinadores trocando constantemente de ideia, improvisando. Não pode voltar a acontecer”.

“Meu compromisso com Tapia foi que só vou dar a minha opinião quando me pedirem. Nem sequer podemos nos prender na velha discussão se a seleção deve ter mais posse de bola ou não. Temos que ser abertos, debater e que os treinadores tenham a liberdade de decidir segundo os jogadores que tenham disponíveis que sistema tático utilizar”, afirmou o antigo treinador, agora diretor.

“Não se trata nem sequer que todas as categorias da seleção joguem da mesma maneira, como escutei, porque isso é impossível. Nossos jogadores são o que são. Não podemos jogar como o Barcelona de Guardiola. Mas sim há uma genética que nos distingue e nos representa, e que creio firmemente que não foi perdida, ainda que devemos ajuda-la a desenvolver-se profissionalmente. A genética do futebol argentino tem a técnica do jogador brasileiro e o caráter do uruguaio. Por isso, é uma raça especial de jogadores”, avaliou Menotti.

“Tenho 80 anos, são 72 anos no futebol. Alguns dirão que represento o futebol antigo. Mas o futebol moderno é a síntese do futebol antigo. Gosto dos treinadores que melhorem o futebol, melhoram os jogadores e trabalharam para revalorizar a relação de futebol com as pessoas. Não há nada mais antigo que essa relação. E o futebol argentino se nutriu de treinadores que deixaram sua impressão, seu estilo, também nas seleções. Eu não venho dizer a ninguém como sua equipe deve jogar”, finalizou ainda o novo diretor.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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