Argentina

La mano de Falcioni

Em entrevista ao programa “Primera Mirada”, da Radio America, Erica desmentiu qualquer má intenção por parte de Julio César. Erica é Erica Galeano, modelo que esteve presente nas comemorações do Boca Juniors  após o título do Torneio Apertura e recebeu uma apalpada na bunda por parte de Julio César Falcioni. Segundo ela, não passou de um engano, de uma desatenção por parte do treinador que, na tentativa de abraçá-la na cintura, abaixou a mão um pouco demais.

Estava estabelecida a polêmica. Erica, no entanto, tratou de desmenti-la. Tratou de minimizar o efeito da mão de JC. Não dá para fazer o mesmo, contudo, em relação ao trabalho do técnico em La Bombonera. No domingo, o clube confirmou a conquista do Apertura de forma invicta. Algo apenas alcançado por seis times ao longo da história – somente três desde que os torneios curtos foram lançados.

Por aí, pode-se ter uma ideia do feito do Boca de Falcioni. Muita gente, porém, reconhece, mas não como se esperaria em se tratando de uma equipe que passou todo um semestre sem uma só derrota. É um Boca que incorpora o espírito que tomou conta do futebol argentino. Um pensamento que despreza o futebol bem jogado e que faz valer basicamente a ideia da personalidade vencedora. Ganhar é o que importa, não importa os meios utilizados para se chegar até lá – e aqui não estamos falando de nada ilícito, por favor.

Falta talento. Existiu por algum tempo. Bem no início do campeonato, quando Riquelme, ainda que entre uma lesão e outra, dava o brilho em campo. Quando estas se apossaram, foi na base do conjunto, mesmo. Não haveria como ser de outra forma também. Além de Riquelme, outros jogadores acabaram sofrendo com problemas físicos. Lucas Viatri, substituto de Riquelme, não nos deixa mentir. Na ausência do artilheiro, nomes como Cvitanich, Blandi e Mouche assumiram o espaço.

Foi essa a força do Boca Juniors. Um justo e merecido campeão, mas que, ainda assim, não conseguiu encobrir a sensação de que faltou concorrência. A distância em relação ao segundo colocado (12 pontos), a maior da história, dá a dica. Julio César Falcioni não liga para os comentários negativos. Não tem culpa nesse cartório. Desde o início, todos sabiam de sua predileção por um 4-4-2 mais defensivo. Desde 2005, quando tentaram contratá-lo pela primeira vez e Diego Maradona, sempre polêmico, se colocou contra a sua vinda.

De bela campanha com o Banfield, era a esperança do Boca para se livrar do fiasco de seu centenário, para domar um elenco que já havia se sobreposto a Miguel Brindisi e Chino Benítez. Estava tudo acordado com o saudoso presidente Pedro Pompilio, faltava apenas assinar contrato. Mero detalhe, aparentemente. Não era, e alguns dias depois, Coco Basile se apresentava em La Bombonera.

Para trazer Falcioni em sua segunda tentativa, o Boca sacrificou os cofres. Sacrificou-se igualmente para contratar o pupilo do treinador, o meia Walter Erviti. Foi acusado de má fé no mercado pelos dirigentes rivais. Não resta dúvida, apostou forte no projeto Falcioni e acabou recompensado. Isto porque, em meio à campanha, não faltou quem tivesse tentado derrubar o comandante. Declarações do vice-presidente Juan Carlos Crespi dando conta de um plano B em caso de derrota, Carlos Bianchi surgindo no cenário político do clube, eleições, volta de antigos líderes da torcida (Mauro Martín e Rafael Di Zeo) e por aí vai.

Falcioni resistiu e foi recompensado. Segundo Cvitanich, esse é um Boca que ficará na memória de todos. Não ficará. Assim como não ficará este Apertura. Ficará registrado, no máximo, como mais uma estatística. Para ir além, alguns outros jogadores já reconhecem, é preciso se reforçar, diversificar um jogo que pouco seduz e aparece apenas como um retrato da pobreza técnica que tomou conta do país, nos últimos anos.

Mostrar mais

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo