Argentina

José Luis Brown se superou mais de uma vez para ajudar a tornar a Argentina bicampeã mundial

É inevitável contar a história do título da Argentina na Copa do Mundo de 1986 pela ótica de Diego Armando Maradona, o toque de mágica de um inesquecível verão no México, mas aquela caminhada não teria tido o mesmo sucesso sem bravos coadjuvantes. E nesse quesito, coragem, talvez ninguém teve tanta quanto José Luis Brown, ex-zagueiro que morreu, esta semana, aos 62 anos, após padecer de Mal de Alzheimer.

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Em uma situação normal, Brown nem estaria no elenco. Sofria com inflamações no joelho e estava sem clube, às vésperas do torneio, dispensado pelo Deportivo Español, mas contou com a confiança de Carlos Bilardo. A ideia era que fosse reserva da defesa, mas a intoxicação que impediu Daniel Passarella de disputar o torneio o colocou em campo ao lado de Oscar Ruggeri e José Luis Cucciufo. Foi titular os sete jogos. “Quando soube que estava entre os 22 que viajariam, fiz uma festa com a minha família”, disse.

Sorte da Argentina porque, aos 23 minutos da final no Estádio Azteca, subiu para encontrar a cobrança de falta de Burruchaga e abriu o placar contra a Alemanha. “Era uma jogada preparada. Burruchaga pegava com curva, de fora. Eu, Sergio Batista, Ruggeri e Valdano nos posicionávamos, éramos os mais altos. Quando Burru fez o cruzamento, eu dei um passo adiante para pular e, de canto de olho, vi Schumacher, que vinha com tudo. Eu tinha Diego (Maradona) à minha frente, eu me apoiei nele e cabeceei”, contou Brown, à revista El Gráfico.

Em 36 partidas pela Argentina, e 1983 a 1989, aquele foi o único gol que Brown marcou. “O destino e Deus quiseram que fosse na final. Esse gol mudou meu documento. Desde então, passei a ser: José Luis Brown, o que fez o gol na final da Copa do Mundo”, acrescentou. E o gol não seria a única contribuição de Brown naquela partida.

No segundo tempo, após uma trombada com um jogador alemão, o zagueiro caiu de mal jeito e luxou o ombro. “A dor era insuportável. O primeiro que disse ao médico foi ‘nem pense em me tirar, não saio nem morto’”, contou, ao Olé. A solução foi abrir um buraco na região do umbigo da camiseta com os dentes e usá-lo como apoio para imobilizar o braço o máximo possível. “Eu havia passado por muitas coisas difíceis e não deixaria a final de jeito nenhum”, completou.

Brown, da Argentina, com sua tipoia improvisada

Após a Copa do Mundo, Brown foi contratado pelo francês Stade Brestois, jogou no Murcia, da Espanha, e encerrou carreira, em 1990, no Racing. O seu grande momento por clubes foi o bicampeonato nacional com o Estudiantes, em 1982 e 1983. Deprimido sem o futebol na sua vida, se aventurou como treinador, mas teve mais sucesso como auxiliar. Esteve ao lado de Bilardo no Boca Juniors, e de Sergio Batista na conquista da medalha de ouro em Pequim.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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