Argentina

Inferno vermelho

Qualquer que seja o lugar, o termo está sempre lá, na moda. Na Argentina, não é diferente. Com os grandes há algum tempo já penando para fazer frente a uma classe média ousada, o que tem se cada vez mais são projetos atrás de projetos. Coisa de clubes que estão tentando recuperar o terreno perdido. Inclua aí o Independiente, heptacampeão da Libertadores.

Movimentos assim podem soar desesperados. E boa parte deles, a bem da verdade, são mesmo. Não parecia, contudo, ser o caso do time de Avellaneda. Ainda que na fila do Nacional desde 2002, os Rojos foram relativamente bem nos dois últimos torneios. Quarto lugar em ambos, pareciam carecer apenas de algo mais para avançar até o título.

Na avaliação dos cartolas, Américo Gallego não seria o cara para levar a equipe até tal objetivo. Condutor do clube no título de oito anos atrás, o técnico foi informado de que não seguiria à frente do grupo antes mesmo do fim do último Clausura. Ficou magoado com tudo aquilo, com a forma como fora tratado pela diretoria. Os torcedores até compraram sua briga, mas não teve jeito.

O Independiente queria porque queria partir atrás de um novo projeto. Algo que envolveria a emulação em campo de um futebol mais vistoso junto a um maior aproveitamento das categorias de base – que, segundo dizem, contaria com a participação de um dos filhos do manager do clube, César Menotti.

Polêmicas à parte, o cartola, campeão do mundo em 1978 no banco de reservas – não é difícil de perceber – bancava toda essa onda de mudanças pelos lados de Villa Dominico. Tudo apontava em sua direção – a garotada e o seu tradicional apreço por um jogo bonito. Mas ele não estava sozinho. Tinha o apoio do presidente Julio Comparada, conhecido por seu caráter personalista, de sempre querer aparecer mais que seus funcionários.

Gallego, adorado pela torcida e celebrado no país, tapava seus holofotes. Mais um motivo para, mesmo que a contragosto da torcida, liberá-lo ao fim do Clausura. E assim foi feito, com o histórico Daniel Garnero, de perfil baixo, sendo apresentado como o seu substituto. Promissor, o treinador compartilhava da mesma filosofia de Menotti e dava indícios de que se apoiaria na base para tocar o tal projeto iniciado neste semestre.

Perfeito. Tudo muito bom, tudo muito bonito. Quatro meses depois das mudanças, porém, o Independiente se encontra afundado em uma crise profunda da qual, aparenta, demorará a sair. Garnero e Menotti já não se encontram mais em Avellaneda, e Comparada, do alto de sua arrogância, foi obrigado a engolir a si próprio para voltar a recorrer a Gallego. Certamente, preferiria não tê-lo feito. Ao consultar o comandante, ouviu um “não” como resposta.

Perdido, o dirigente agora atira para todos os lados. Sonha com Pumpido, mas parte dos cartolas clama por Fossati, ex-Inter. E o badalado projeto, de tantas promessas, já parece ter sido jogado no lixo.

Não cabem aqui?

O exemplo está lá, na Espanha, para quem quiser ver. O argentino Jorge Valdano, homem de vocabulário ímpar e inteligentíssimo, é o braço-direito do presidente do Real Madrid, Florentino Pérez, há um bom tempo. Foi o primeiro a exercer tal cargo em Santiago Bernabéu. Numa função que, pode-se dizer, algo recente por aqueles cantos – coisa de dez anos, explica em entrevista ao jornal “La Nación”.

Valdano é uma espécie de referência para seus pares na Argentina. Há alguns anos já, os compatriotas tentam repetir a experiência no país. Até aqui, não é exagero afirmar, não vem tendo muito sucesso. A queda de Menotti no Independiente é apenas a última baixa que os defensores desse tipo de organização sofrem. Também recentemente, Carlos Bianchi, de tantas Libertadores vencidas nesses anos, deixou o Boca Juniors alegando desgaste.

Os exemplos não param por aí. Há muito mais gente que parece susceptível por demais de posse dessa tarefa. Michelini, no San Lorenzo; López e Cabellero, no Racing; Maradona, no Almagro; e Bochini, nesse mesmo Independiente, são outros que se somam às estatísticas. Bassedas, com o Vélez Sarsfield, é um dos raros exemplos de sucesso na função.

Mais uma lista burocrática

Alguém que consegue estar mais na mídia do que Mano Menezes por aqui, Sergio Batista havia prometido numa dessas entrevistas recentes uma convocação com algumas novidades, que apontavam para a renovação que todos tanto ansiavam. Pois bem, acabou ficando para depois. A salutar apenas o retorno de Pastore à lista. Veja.

Goleiros
Sergio Romero (AZ Alkmaar/HOL), Mariano Andújar (Catania/ITA) e Oscar Ustari (Getafe/ESP)

Defensores
Martín Demichelis (Bayern de Munique/ALE), Walter Samuel e Javier Zanetti (Inter de Milão/ITA), Nicolás Burdisso (Roma/ITA), Gabriel Heinze (Olympique de Marselha/FRA), Pablo Zabaleta (Manchester City/ING) e Gabriel Milito (Barcelona/ESP)

Meias
Javier Mascherano (Barcelona/ESP), José Sosa (Napoli/ITA), Ángel Di María e Fernando Gago (Real Madrid/ESP), Esteban Cambiasso (Inter de Milão/ITA), Mario Bolatti (Fiorentina/ITA), Andrés D'Alessandro (Internacional/BRA), Javier Pastore (Palermo/ITA) e Nicolás Gaitán (Benfica/POR)

Atacantes
Gonzalo Higuaín (Real Madrid/ESP), Carlos Tévez (Manchester City/ING), Sergio Agüero (Atlético de Madri/ESP), Lionel Messi (Barcelona/ESP), Diego Milito (Inter de Milão/ITA) e Ezequiel Lavezzi (Napoli/ITA)

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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