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Huracán honra seu passado e recoloca no centro da Argentina o clássico com o San Lorenzo

Belo Horizonte se transformou na capital do futebol brasileiro. O sucesso mineiro teve sua coroação com o bicampeonato do Cruzeiro na Série A e a conquista da Copa do Brasil pelo Atlético Mineiro, um ano depois do feito na Libertadores. Porém, não é só por estas bandas que os holofotes se concentram em um clássico fora do eixo mais tradicional. Tudo bem que o River Plate brilhou no Campeonato Argentino neste ano, e os duelos com o Boca Juniors na Copa Sul-Americana concentram grandes expectativas. No entanto, a dupla de maior sucesso no futebol argentino em 2014 está nos subúrbios de Buenos Aires: San Lorenzo e Huracán, que, embora não se enfrentem há três anos, fizeram o “Clásico de Barrio” nas salas de troféus.

Primeiro, o San Lorenzo deixou de ser o Clube Atlético Sem Libertadores da América. A inacreditável campanha dos cuervos encerrou a sina de fracassos continentais, assim como havia acontecido com o Galo um ano antes. Feito atribuído ao Papa Francisco, mas que parece ter abençoado também a vizinhança na zona sul de Buenos Aires. O Huracán conquistou a Copa da Argentina nesta quarta, pondo fim a um jejum de 41 anos sem títulos nacionais de primeira divisão (lembrou-se novamente dos atleticanos?). A consagração aconteceu diante do Rosário Central, com a vitória por 5 a 4 nos pênaltis após o 0 a 0 com a bola rolando. Título que confirma também o Globo na Copa Libertadores, a qual não disputa desde 1974.

Ver o sucesso do Huracán é reviver a história do futebol argentino. Por mais que os portenhos sigam na segunda divisão, sua conquista foi irretocável, deixando pelo caminho também os gigantes Boca Juniors e Estudiantes. Uma taça que serve de deixa para se relembrar o passado glorioso do clube, o melhor da Argentina na década de 1920. E que também pode ajudar a resgatar a tradição do Globo em contar com craques de respeito. Entre os grandes que vestiram a camisa alvirrubra, estão Guillermo Stábile, Osvaldo Ardiles, René Houseman, Miguel Brindisi. O último bom time surgiu em 2009, vice-campeão com Pastore e Bolatti no elenco. Inspirações para que o Huracán faça explodir novos nomes de igual talento.

A Libertadores, quem sabe, também poderá contar com o Clásico de Barrio mais importante da história. Um dérbi cravado entre os bairros de Boedo e Parque Patricios, e que completará o seu centenário exatamente em 2015, com 190 duelos oficiais e amistosos desde então. Os melhores momentos poderiam ter vindo na década de 1920, quando os dois lados erguiam taças, mas em ligas diferentes. Já nos anos 1970, nos últimos momentos vitoriosos do Huracán, o título nacional permaneceu na região por três anos consecutivos. Os últimos momentos em que a zona sul estava no topo com dois representantes.

Agora, a cabeça do San Lorenzo está voltada para o Mundial de Clubes, no qual o clube precisará reverter o declínio dos meses após o título da Libertadores. Já o Huracán, enquanto sonha com o seu retorno à primeira divisão, também deverá aguardar ansiosamente o possível duelo continental. Apesar das diferenças entre as ambições da dupla e da ampla vantagem dos cuervos no histórico do confronto, será um momento inesquecível. A primeira vez que Ciclón e Globo cruzarão juntos a fronteira da Argentina, e que têm chances de provocar um fenômeno especial nas Américas.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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