Golaço de Guiñazú aos 49 do 2º tempo definiu a épica volta do Talleres à elite, após 12 anos

Poucos clubes no interior da Argentina possuem a tradição e a história do Talleres. Dona de uma numerosa torcida, a equipe de Córdoba já disputou 28 edições da primeira divisão, chegado ao vice-campeonato em 1977, e possui até mesmo um título da Copa Conmebol no currículo – em 1999, em decisão clássica do futebol alternativo contra o CSA. No entanto, o sofrimento dos albiazules se estendiam por quase 12 anos. Em 2004, La T deixou a elite ao perder o jogo dos playoffs do rebaixamento contra o Argentinos Juniors. Neste interim, as más campanhas ainda levaram o clube à terceira divisão. Contudo, o Talleres emendou dois acessos consecutivos. E, neste domingo, levou seus torcedores à loucura com uma virada épica, que garantiu o retorno à primeira e o título da segunda com duas rodadas de antecedência.
Invicto e líder isolado da Primeira B Nacional, com oito pontos de vantagem sobre o Chacarita Juniors, o Talleres precisava vencer o All Boys no Estádio Islas Malvinas, na capital. Porém, tudo indicava que o acesso não viria nesta tarde, depois que Germán Lesman abriu o placar aos 37 do segundo tempo. Pior, os albiazules tinham um jogador a menos desde o fim da primeira etapa, quando Rodrigo Burgos foi expulso. Mas, para sorte dos visitantes, o empate saiu dois minutos depois, graças ao artilheiro Gonzalo Klusener.
A partir de então, o Talleres passou a pressionar em busca do triunfo. Que veio da maneira mais espetacular possível, justo pelos pés da maior estrela da equipe: o capitão Pablo Guiñazú, contratado em janeiro. Nascido na Província de Córdoba, o volante começou a carreira no Newell’s Old Boys, mas queria regressar a sua terra para encerrar a carreira. “Não sabe a alegria que tenho de voltar. Faz 20 anos que sou profissional e sempre joguei longe. Volto a minha província para conquistar o acesso e me aposentar com o Talleres. Prometi ao meu pai antes de sua morte, no ano passado, que ia me retirar em Córdoba. E vou poder cumprir. Como não vou estar feliz?”, declarou o jogador de 37 anos, em sua apresentação.
E a alegria de Guiñazú não poderia ser maior neste domingo. O meio-campista não balançava as redes desde agosto de 2009, quando ainda defendia o Internacional, em duelo com o Goiás. Desta vez, contudo, a bola sobrou limpa para o veterano acertar um chutaço, no ângulo, sem nem dar chance de reação ao goleiro. O capitão não aguentou a emoção na comemoração: caiu com o rosto no gramado, encoberto pelos abraços dos companheiros. O seu desejo e a promessa ao seu pai, enfim, estavam completos.
Depois de 4354 dias de espera, o Talleres pode se afirmar novamente como um time de primeira. E com méritos, diante da restruturação financeira encabeçada por André Fassi, homem forte do Pachuca e presidente de La T. O Campeonato Argentino permanece cercado de incertezas, com o racha diante da criação da Superliga. Mas nada deve tirar a festa que se promete em Córdoba na próxima sexta, quando os albiazules reencontrarão sua torcida em La Boutique de Barrio Jardín, para o confronto com o Brown de Adrogué. E o que se promete é uma combustão nas arquibancadas, das mais dignas do futebol argentino.



