Argentina

Gareca, projeto Fortín

O Vélez Sarsfield foi campeão do Torneo Inicial 2012 no último domingo. Dentro de campo o time não apresentou um futebol sensacional, apenas eficiente – 12 vitórias, dois empates e quatro derrotas, 28 gols marcados (melhor ataque) e 12 sofridos (4ª melhor defesa). Regular, diria. Mas no extracampo o clube tem conseguido ser diferente das demais equipes argentinas. Dois presidentes – Fernando Raffaini e, agora, Miguel Calello – passaram pela instituição e mantiveram Ricardo Gareca no comando há quatro anos. Isso é mérito do clube, sobretudo, diante da efemeridade do cenário atual.

El Tigre perdeu importantes nomes de campanhas anteriores, como Hernan Rodrigo López, Juan Manuel Martinez, Maxi Moralez, Marcelo Barovero, Nicolás Otamendi, Augusto Fernández, David Ramírez, entre outros. Mas, ainda assim, com a cantera Fortinera e contratações pontuais conseguiu manter-se sua postura ofensiva, herdada dos tempos de jogador. Quando atuava como atacante.

Assim, conquistou três títulos nacionais – Clausura 2009, Clausura 2011 e, agora, Inicial. Junto a ele, apenas três jogadores estiveram presentes, como titulares, nas três campanhas – o lateral-esquerdo Emiliano Papa e os zagueiros Sebá Domínguez e Fabián Cubero, jogador que mais atuou na história do clube.

Ainda no setor defensivo, outro fator determinante para solidificar o sistema foi a alteração do arqueiro Germán Montoya – que sofreu nove gols em dez partidas -, pelo uruguaio Sebastián Sosa – que sofreu apenas três em oito partidas. Justamente no momento crucial: a 11ª rodada.

Com a defesa organizada, Gareca conseguiu mesclar a experiências dos já citados, além de Fernando Cerro e Federico Insúa, com a juventude de Gino Peruzzi (Neymar deve lembrar bem dele), Ariel Cabral, Ivan Bella, Lucas Pratto, Fernando Tobio e Facundo Ferreyra. Aliás, dos 24 jogadores utilizados na campanha, nove pertenceram a base Fortinera.

No ataque, Chuchy Ferreyra, que foi rebaixado com o Banfield, é um dos bons nomes da Seleção Sub 21 e mostrou do que é capaz numa equipe organizada. Resultado: está na briga pela artilharia do Torneo, com 11 gols, o mesmo número de Ignacio Scocco, do Newell’s Old Boys.

Outrora adepto do 4-3-3, Gareca atualmente tem optado por utilizar a variável 4-3-1-2 (ou 4-4-2 sem a bola), com doble 9 – Ferreyra e Pratto (11 e 6 gols, respectivamente). Mas, apesar da regularidade durante todo o campeonato, pode-se dizer que o ponto alto foi o arranque na reta final: sete vitórias nas oito rodadas finais. Na 17ª rodada, o Fortín alcançou a liderança isolada e na seguinte conquistou o título, com uma rodada de antecedência.

Mesclar de experiência com juventude, cantera, regularidade, solidez defensiva e verticalidade, enfim, o título Fortinero não foi casual. O Vélez possui um projeto de médio e longo prazo: el Tigre Ricardo Gareca.

Tigre, parte 2

Observando que o tempo é relativo: oito anos é muito ou pouco tempo? Neste tempo, o Tigre foi de candidato ao descenso a Primera B Metropolitana [equivalente a Terceira Divisão], em 2004, a finalista da Copa Sul-Americana, em 2012, ante o São Paulo, cuja primeira partida será disputada nesta quarta-feira, na Bombonera.

Neste entretempo nem tudo foram flores, mas pode-se dizer que houve mais alegrias do que tristezas. Visando escapar do rebaixamento a Terceira Divisão, o clube contratou Ricardo Caruso Lombardi, que conquistou importantes pontos na briga pelo acesso à elite. Mas foi Diego Cagna o técnico responsável pela promoção em 2007. Neste mesmo ano, já na Primera División, brigou pelo título de Apertura e no seguinte disputou o triangular com Boca Juniors e San Lorenzo, nas duas oportunidades terminou em segundo lugar.

No ano passado, o clube flertou novamente com o rebaixamento. Já com Rodolfo Arruabarrena, no lugar de Cagna, tirou forças para brigar mais uma vez pelo título e foi vice-campeão do Clausura 2012. Além de conquistar a vaga na Copa Libertadores 2013. Agora, Néstor Gorosito é o comandante desta equipe, que chega a final sem grandes nomes e sem grife, mas com muito poder de reação. Afinal, em oito anos el Matador foi da zona de rebaixamento na Segundona a uma final continental.

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