Argentina

Ganha e encanta

“O campeonato é irregular e qualquer um pode ganhar”. É comum ouvir chavões desses por aí. Na Argentina não é diferente. Lá, porém, ele não se aplica. O Vélez Sarsfield não só ganha, como encanta. Lidera o Clausura com sobras e representa aquela que talvez seja a única esperança de se fazer frente ao Santos no continente. Temos bons times na Libertadores, alguns deles desbancaram os brasileiros, mas se há alguém que pode encarar o Peixe esse é o Vélez de Ricardo Gareca.

Ontem, contra o Libertad, foi dada mais uma mostra disso. 3 a 0, fora o baile – e contando com a participação especial, é verdade, do goleiro adversário. Não tira o mérito do que vem fazendo essa equipe. A receita é conhecida, não é das mais novas, já foi explicada por aqui, e dá mais que certo. Em determinado momento, chegou-se a pensar que a coisa poderia degringolar.

Gareca ameaçou ir embora, achou que seu ciclo em Liniers havia se encerrado. Mais ou menos como Alejandro Sabella com o Estudiantes. Não acabou – e para o bem do Fortín, o técnico seguiu. É o cara por trás de tudo de bom que a turma comandada por Cubero tem conseguido.

Um futebol alegre, de quem joga e deixa jogar, ciente de seu potencial e que hoje comanda a Argentina – os 4 a 0 no Estudiantes não deixam dúvida – trazendo conceitos que se encontravam algo esquecidos. Os enganches são prova disso. Pipocam por todo lado em Liniers. Maio de 2009, a El Gráfico estampou na sua capa três jogadores: Blanco, ex-Lanús, Pastore, ex-Huracán, e Maxi Moralez, ainda hoje no Vélez. Brincava com a briga pelo título e o retorno desses atletas que, no julgamento da revista, representavam o “puro futebol”.

É bem isso mesmo. E não é exagero dizer que se hoje a El Gráfico resolvesse voltar a abordar o tema em sua capa poderia preenchê-la apenas com personagens do Fortín. Além do próprio Moralez, David Ramírez, Burrito Martínez e Ricky Alvarez. Uns um pouco mais enganches do que os outros, mas todos com essa aura que tanto cativa os brasileiros nos últimos tempos.

No Vélez, eles têm espaço de sobra para mostrar seu talento. Por trás do artilheiro Santiago Silva, flutuam de um canto para o outro do campo. A superioridade é conhecida na Argentina, e atrai admiradores no estrangeiro. Em entrevista à rádio La Red nesta quinta-feira, Javier Zanetti falava de uma dessas figuras do time de Ricardo Gareca. “Gostaria de levar o Ricky Alvarez para a Inter”, revelou.

Alguma coisa há por aí, o Capitano goza de prestígio no Giuseppe Meazza. E se há, é claro, é porque em Liniers a revelação de 23 anos encontrou alguém para apostar em seu futebol. No Boca não foi assim. Baixinho, acabou dispensado. A história é mais ou menos a mesma com os demais membros desse grupo. Burrito Martínez rodou bastante até enfim deslanchar com o clube e hoje aparecer no radar de equipes como o Sevilla. David Ramírez, ainda que tardiamente, brilhou no Godoy Cruz e foi buscado para esta temporada. Maxi Moralez, por sua vez, pode não ter conseguido tudo que se projetava em seu início de carreira, ao lado de uma gente talentosa, mas é aquele que dá o toque de experiência nesse Vélez.

Um Vélez que pode disputar um campeonato irregular, que alterna candidatos a cada ano, mas que sabe que, por lá, ele será por um bom tempo o favorito a ganhar.

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Equipe Trivela

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