Argentina

Fox e Turner compram direitos do Argentino (quase) pelo dobro do que pagava o governo

Depois de resolvido o impasse que causou a greve dos jogadores e adiou o começo da segunda metade do Campeonato Argentino, a Federação Argentina de Futebol tem um novo parceiro para transmitir as partidas. Na verdade, dois parceiros: a Fox e a Turner arrebataram os direitos de TV, que estavam nas mãos do projeto estatal Fútbol para Todos, pelos próximos cinco anos, já com opção de renovação por mais cinco anos.

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Em 2009, os clubes argentinos passavam por uma grave crise financeira, e o então presidente da AFA, Julio Grondona, negociava contratos de transmissão com empresas privadas, que se recusaram a pagar o que ele estava pedindo (720 milhões de pesos, ou R$ 146 milhões). Eis que surgiu Cristina Kirchner com uma oferta próxima (600 milhões, ou R$ 121 milhões) e arrebatou os direitos de TV do campeonato. Colocou todos os jogos na TV aberta, instaurou uma divisão igualitária a todos os times e usou o programa como plataforma política para seu governo. Esse valor foi crescendo e chegou a 1,8 bilhão de pesos (R$ 365 milhões) em 2016.

No entanto, a eleição do opositor Mauricio Macri, vencedor com a proposta de reduzir gastos estatais, era um péssimo sinal para o Fútbol para Todos, e o esperado concretizou-se em outubro do ano passado, quando o presidente argentino colocou um ponto final no programa. O atraso do pagamento das parcelas da recisão foi, inclusive, um dos motivos que levaram os jogadores à greve no começo do ano. Finalizado o programa estatal, a AFA começou a negociar com empresas privadas para vender os direitos de transmissão.

E conseguiu um valor bem acima do que estava sendo pago pelo governo. A Fox e a Turner darão uma entrada de 1,2 bilhão de pesos (R$ 243 milhões), mais 3,2 bilhões de pesos (R$ 650 milhões) por ano do contrato, que começa em agosto e será assinado em 29 de março. As duas emissoras dividirão as partidas. Havia a possibilidade de a ESPN ficar com alguns dos jogos menos importantes da rodada, mas, segundo o La Nacion, isso “nem foi discutido” na reunião entre as empresas e a AFA.

A Fox passará os duelos em seus três canais. A Turner tem o Space e a TNT na televisão argentina, mas deve criar um canal novo, a Turner Sports Panamericana, para exercer o seu direito de transmissão. Também serão vendidos pacotes dos jogos, a 300 pesos por mês (R$ 61), ou 6,25 pesos (R$ 1,25) por cada uma das 48 partidas desse período. A produção das partidas será realizada pela Torneos Y Competencias.

A Torneos, depois de conquistar essa conta, deve retirar um processo que move na Justiça contra a AFA porque, em 2009, quando aceitou a proposta do governo pelos direitos de transmissão, a entidade argentina rescindiu unilateralmente um contrato que havia assinado com a Torneos e que valia até 2014. A ação corre na Justiça argentina, mas, até agora, não havia se chegado sequer a um valor estimado de indenização que a AFA deveria desembolsar.

A AFA também confirmou eleições para 29 de março e, finalmente, o futebol argentino caminha. A passos curtos, mas caminha.

E o Brasil?

A negociação de direitos do Campeonato Argentino foi apenas nacional. Os direitos internacionais, ou seja, para transmissão fora do país, seguem com a Torneos y Competencias, em um contrato que ainda tem três anos. Qualquer emissora brasileira que quiser comprar o torneio para transmitir ao Brasil terá que negociar com a empresa argentina.

 

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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