Argentina

Fim do Mundo ameaça o Real

Pare e pense. Como é eleito o presidente da CBF? Não tem muito segredo, através dos cartolas das federações. Faz sentido, portanto, que o cara que comanda o futebol em Santa Catarina e se orgulha de caminhar para assumir o posto de mais longevo do país, Delfim Pádua Peixoto Filho, prometa punir aqueles que ousarem protestar contra o seu chefe, Ricardo Teixeira. Faz todo sentido.

Para muita gente, por outro lado, não faz sentido algum que Teixeira siga se perpetuando no cargo via gente como Delfim. É assim no Brasil, não é na Argentina. Ou melhor, tentam fazer com que deixe de ser. Era essa a promessa – em se tratando de políticos, dirigentes, jamais leve 100% a sério – de Daniel Vila, mandatário do Independiente Rivadavia, poderoso das telecomunicações e que tenta desbancar Julio Grondona do comando da Afa. O seu lema é seguinte:

“Um clube, um voto”.

Revolucionário, não? Pois é, não existe confederação pelo mundo com esse sistema, e Vila, astuto como só ele, atendia a um desejo dos times do interior de se verem considerados. Se sentem desprestigiados. Grondona, assim como eles, também começava a sentir a partir do momento em que a insatisfação por outras partes da Argentina só crescia com a forma como o racha da grana da TV era feito.

Do meio do ano passado pra cá, o dirigente, sempre bom de papo, começou a adotar uma linha mais saudosista em seu discurso, como se estivesse, enfim, disposto a largar o osso. Está. Mas não para tão logo. Programa sua saída do comando do futebol argentino para 2015, após 36 de sua chegada por lá. Antes, porém, como todo bom velhinho que se preocupa com a imagem que deixará e, claro, com o seu legado, revelou o desejo de colocar em prática algumas vontades suas. Uma delas? A de conceder mais importância à turma que vive ao redor de Buenos Aires. A turma do interior.

Grondona 1 x 0 Vila. Foi aí que o presidente da Afa, gente graúda na Fifa, sacou da cartola uma ideia há muito perdida: por que não ressuscitar a Copa Argentina? E o que começou como mera especulação rapidamente virou fato concreto, com a volta do torneio a partir desta temporada. O seu slogan: o torneio mais federal do país. Ah, essa política, não consegue se manter longe do desporto. Será também a oportunidade para Grondona pôr em ação a sua Afa TV.

O campeonato começa na próxima quarta-feira e se prolongará até maio do ano que vem. Algumas surpresas por aí? Bom, se na primeira divisão elas já vêm pintando aos montes, não será na Copa Argentina que terão o seu espaço privado. É a chance para essa gente brava do interior mostrar a que veio.

Aliás, eles já estão mostrando. Gente de regiões que não tinham sequer um time em qualquer uma das divisões terá direito a uma vaguinha na competição. É o caso de Tierra del Fuego, que, no fim de semana, terá o seu representante decidido entre Real Madrid de Río Grande e Los Cuervos del Fin del Mundo de Ushuaia. É, amigo, briga de cachorro grande. E em 70 minutos. Sim, isso mesmo. O jogo que começou em julho e foi interrompido por conta da forte nevada se desenrolará em dois tempos de 35 minutos. A vantagem é da turma apocalíptica, que venceu o primeiro duelo por 1 a 0. A porta da Copa Argentina para o Fim do Mundo é logo ali.

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Equipe Trivela

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