ArgentinaEliminatórias da Copa

Fenômeno no clube e na seleção

Acostumado a ser criticado, sobretudo, por seus compatriotas, Lionel Andrés Messi foi de renegado a herói atuando pela Seleção da Argentina. Nos últimos anos, o rosarino foi duramente criticado, apontado como uma “farsa”, quase sempre acompanhado da ideia patética de que “Messi só ‘joga bola’ no Barcelona”. Mas até estes têm de se render ao futebol do argentino.

Aos que se prendem aos números para avaliar o quão sensacional pode ser um futebolista, la Pulguita, em 75 partidas pela Albiceleste, marcou 31 gols e está a dois tentos de igualar a marca histórica de Diego Maradona e a quatro de Hernán Crespo. Não seria demais lembrar que ele tem apenas 25 anos. Na Era Sabella, ele marcou 14 gols em 14 jogos, média de um gol por jogo.

Já os que enxergam além da frieza numérica, conseguem contemplar a plasticidade, intelligentsia, técnica apurada, alegria, humildade e algo mais que só um “Messiano” pode apresentar. Lio tem a facilidade de fazer a equipe jogar, como um maestro, que rege a orquestra.  Claro, ele não é nenhum Neymar, mas, com muito esforço, há de chegar lá. Quiçá o tempo seja o remédio…

Alejandro Sabella, selecionador da Argentina, tem uma parcela de contribuição: apostou no craque e não no Barcelona, apesar de um ser a representação do outro, sempre análogos ao futebol arte e objetivo. Deixou de lado a ideia de armar uma equipe em função dele, mas com ele como principal figura. Com o 4-3-3 ou suas variáveis, pouco importa, desde que la Pulguita esteja em campo, e bem. Uma brecha é o suficiente. Artista é assim.

No Clássico Rioplatense, ante o Uruguai, na última sexta-feira, la Pulga marcou dois gols na vitória Albiceleste, por 3 a 0. Mas, além disso, fez a Seleção jogar. Não foi diferente, nesta terça-feira, diante do Chile. A Argentina levou sufoco, mas quando acionado, Lio não se escondeu. Tirou foto com o árbitro assistente, o paraguaio Nicolás Yegros e ainda marcou um belo gol na vitória por 2 a 1, após receber belíssimo passe de Fernando Gago. Assim como no sábado, nesta quarta foi difícil o mundo não se render à maestria do argentino. O que tem se tornado práxis após cada partida.

É verdade que ambas as seleções não estão em suas melhores fases, mas nem por isso deixaram de endurecer a peleja antes os portenhos, mas Messi tratou de deixar a situação dos adversários ainda pior. Ele conheceu muito bem essa fase de criticas, de descrenças em seu futebol – como Uruguai e Chile passam atualmente -, hoje ele voltou a ser argentino para os argentinos, para os brasileiros ele continua recebendo alguns adjetivos que representam outras conotações quando dirigidos a ele.

Aos que ainda nutrem a falácia de que “Messi só ‘joga bola’ no Barcelona”, por favor, não se neguem a visão, a reavaliação dos conceitos, a evolução ou a inteligência. Afinal, para avaliar o futebol, faz-se necessário acompanhá-lo. E, diga-se, embora continue sendo o mesmo, Lio já mostrou que pela Albiceleste dá para o gasto… Mas imagina se ele soubesse cantar o hino?

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