Argentina

O Estudiantes se despediu de ídolos históricos e encerrou jejum de 13 anos com título inédito da Copa Argentina

Com vitória por 1 a 0 na final contra o Defensa y Justicia, o Estudiantes conquistou a Copa Argentina na despedida de Mariano Andújar e Mauro Boselli

O Estudiantes enfim soltou o grito de campeão entalado na garganta há 13 anos. Na noite de quarta-feira (13), o clube de La Plata derrotou o Defensa y Justicia por 1 a 0 na grande decisão disputada em jogo único no Estádio Ciudad de Lanús e conquistou pela primeira vez na história a Copa Argentina. Além de encerrar um longo jejum, o troféu inédito ainda garantiu a disputa da fase de grupos da Libertadores de 2024 foi a despedida perfeita para dois grandes ídolos dos Pincharratas.

O gol do título foi marcado pelo atacante Guido Carrillo, cria das categorias de base do Estudiantes, revelado em 2011 (justamente o primeiro ano do jejum) e que retornou ao clube em 2023 após oito anos no futebol internacional, passando por França, Inglaterra, Espanha e China. O jogador de 32 anos mostrou que o faro de artilheiro segue em dia, aproveitando a sobra na pequena área após cruzamento da direita e um bate e rebate entre o também veterano Pablo Piatti e o goleiro Enrique Bologna para marcar aos oito minutos do segundo tempo.

Na primeira etapa, o Defensa y Justicia esteve mais bem próximo de abrir o placar. Com apenas cinco minutos, Santiago Solari completou de primeira um cruzamento rasteiro vindo da direita e carimbou o travessão. Já nos acréscimos, nova chegada pela direita terminou em bola tocada para trás na pequena área que desviou na marcação e por muito pouco não foi alcançada por Gastón Togni. Mas a noite era mesmo do Estudiantes, que levantou sua primeira taça desde a conquista do Apertura em 2010.

O técnico responsável por encerrar os 13 anos de jejum foi Eduardo Domínguez, ex-zagueiro de Vélez Sarsfield, Racing, Independiente e Huracán. Treinador desde 2015 e no comando do Estudiantes desde março, ele já tinha no currículo as conquistas da Supercopa Uruguaia de 2019 com o Nacional e a Copa da Liga Argentina de 2021 com o Colón.

Antes de vencer a Copa Argentina, o clube da La Plata terminou em quinto lugar no Campeonato Argentino, ficou na nona colocação na do Grupo B da Copa da Liga Argentina e chegou até as quartas de final da Copa Sul-Americana, sendo eliminado para o Corinthians nos pênaltis em um jogo dramático no Estádio Jorge Luis Hirschi, com direito a seis bolas na trave de Cássio.

A campanha do título e os destaques

O primeiro compromisso do Estudiantes na Copa Argentina de 2023 foi em fevereiro, quando o treinador da equipe ainda era Abel Balbo. Contra o modesto Independiente de Chivilcoy, que disputa a terceira divisão nacional, venceu tranquilamente por 3 a 0 no Estádio Centenario Ciudad de Quilmes pela fase de 32-avos de final. Em julho, despachou o All Boys (atualmente na segunda divisão) com um triunfo por 1 a 0, também no Ciudad de Quilmes.

A partir das oitavas, vieram os grande confrontos contra times da elite do futebol argentino. Depois de ser derrotado nas três primeiras rodadas da Copa da Liga Argentina e ser eliminado pelo Corinthians na Copa Sul-Americana, o Estudiantes se reergueu em setembro ao superar na disputa de pênaltis o Independiente após empate em 1 a 1 no tempo normal. Na ocasião, os Pincharratas converteram suas três penalidades, enquanto o Rei de Copas desperdiçou três das suas quatro, com o lendário goleiro Mariano Andújar defendendo uma (falaremos mais dele adiante).

Nas quartas de final, em outubro, o Estádio Marcelo Bielsa foi palco da vitória por 2 a 0 sobre o Huracán. A grande batalha da campanha, no entanto, aconteceu mesmo nas semifinais. No Estádio Mario Alberto Kempes, em Córdoba, o Estudiantes abriu o placar diante do Boca Juniors e viu o lateral-esquerdo Marcelo Saracchi ser expulso logo aos nove minutos do primeiro tempo, mas sofreu dois gols de Miguel Merentiel (emprestado pelo Palmeiras) e levou a virada antes do intervalo. Na segunda etapa, Mauro Boselli (outro que será abordado em breve) e um gol contra de Jorge Nicolás Figal asseguraram o 3 a 2 e a vaga para decisão contra o Defensa y Justicia.

Boselli e Mauro Méndez foram os artilheiros da equipe no torneio, cada um com dois gols, enquanto Guido Carrillo foi o autor do gol do título. Mas a conquista da Copa da Liga Argentina passa diretamente por outros três destaques: o goleiro Mariano Andújar, o meio-campista José Sosa e o meia-atacante Benjamín Rollheiser. O primeiro não apenas defendeu um pênalti nas oitavas de final contra o Independiente, mas também não foi vazado nas quartas e na grande final.

Já José Sosa foi outro que retornou ao clube para ser campeão. Revelado pelos Pincharratas em 2003, rumou para o Bayern de Munique em 2007 e fez uma grande carreira no futebol europeu, passando também por Napoli, Metalist (Ucrânia), Atlético de Madrid, Besiktas, Milan, Trabzonspor (Turquia) e Fenerbahçe. Ele já havia tido uma segunda passagem pelo Estudiantes em um rápido empréstimo em 2010, mas voltou de vez em 2022 para sagrar-se campeão mais uma vez, agora com 38 anos. Contra o Defensa y Justicia, fez uma exibição de gala.

Por fim, Benjamín Rollheiser é o camisa 10 e principal nome do time de Eduardo Domínguez. Podendo jogar como ponta-direita, meia-ofensivo ou atacante, o garoto de 23 anos é o jogador mais promissor do campeão da Copa Argentina, somando 12 gols e sete assistências na temporada e entrando na mira do Benfica segundo o portal Tyc Sports.

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As despedidas

Conforme prometido, chegou a hora de falar mais sobre Mariano Andújar e Mauro Boselli. Os dois são ídolos históricos do Estudiantes, conquistaram juntos a Libertadores de 2009 e disputaram uma partida oficial com a camisa rojiblanca pela última vez diante do Defensa y Justicia.

O goleiro, que também faturou o Apertura de 2006 com o clube, se despediu aos 40 anos como o terceiro jogador que mais atuou pelos Pincharratas. Foram 457 partidas somando suas três passagens pela equipe de La Plata. Após o título, o arqueiro afirmou que não sabe se vai se aposentar, mas deu uma linda e emocionante declaração lembrando de Alejandro Sabella, técnico campeão da Libertadores em 2009 e vice-campeão da Copa do Mundo de 2014 com a Argentina que faleceu em 2020.

— Alejandro (Sabella) está presente no clube desde o momento em que você entra até o momento em que você sai. Em cada frase, em cada momento, é preciso lembrar disso. São coisas que se tornam cada vez mais válidas com o tempo. Vestir a camisa do Estudiantes, temos sempre que lembrar disso. Dividimos isso com ele — declarou.

Mauro Boselli, por sua vez, se aposentou aos 38 anos com a conquista. Artilheiro do Estudiantes em 2023 com 15 gols, o centroavante marcou 93 vezes em 211 jogos pelo clube considerando suas três passagens. Em 2009, ele foi o goleador da Libertadores com oito bolas na rede e anotou o gol do título continental contra o Cruzeiro no Mineirão.

— Há muitos sentimentos contraditórios. É uma felicidade por ter conquistado mais um título e, obviamente, um pouco de tristeza porque está acabando tudo de bom que eu tinha que fazer na minha vida, que é jogar futebol. Mas consciência está tranquila, a decisão foi tomada há muito tempo — disse Boselli depois de sua última partida como jogador profissional.

— Eu queria me aposentar assim, bem, marcando gols. A cereja do bolo é que é mais um título na minha carreira, com o time que tanto amo, que é o Estudiantes. É hora de sair, sair assim, em um bom momento. Em algum momento a crise e a questão física começariam a aparecer, e eu queria que a decisão fosse minha e não que o futebol me dissesse: ‘pronto, é isso’. Aposentar-me assim, com título, em um clube que tanto amo… Não posso pedir mais. Obviamente, vai fazer falta o dia a dia, vestir essa camisa, mas terei ver de fora e incentivar do outro lado. Iniciar uma nova etapa da minha vida, que com certeza será muito bacana — completou o atacante, que teve uma passagem rápida pelo Corinthians entre 2019 e 2020.

Foto de Felipe Novis

Felipe NovisRedator

Felipe Novis nasceu em São Paulo (SP) e cursa jornalismo na Faculdade Cásper Líbero. Antes de escrever para a Trivela, passou pela Gazeta Esportiva.

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