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Depois de quase dez anos, Gareca retoma sua bonita história como treinador do Vélez

Gareca é torcedor do Vélez desde a infância, clube no qual atuou como jogador e teve uma vitoriosa passagem anterior como treinador

O Vélez Sarsfield retoma um elo de sua história ao anunciar Ricardo Gareca como seu novo treinador. El Tigre possui uma ligação enorme com o Fortín, primeiro nos tempos de atacante, depois já na casamata. O técnico dirigiu os velezanos por quatro anos, quando conquistou três títulos do Campeonato Argentino e também protagonizou boas campanhas na Libertadores. É esse desempenho que o Vélez procura recuperar, e com um comandante que chega em alta, considerando o trabalho histórico de Gareca à frente da seleção peruana – que só não foi mantido por um desacordo nos valores da renovação de contrato. Aos 65 anos, o veterano assinou com os alviazuis até o fim da temporada.

A primeira passagem de Gareca pelo Vélez aconteceu de 1989 a 1992. Era um sonho de infância do atacante, que torcia para o clube quando criança, embora tenha sido formado pelo Boca Juniors e depois passado pelo River Plate. Naquele momento, Gareca retornava de quatro anos atuando na Colômbia, pelo poderoso América de Cali. O desembarque no Estádio José Amalfitani aconteceu num período de fortalecimento da V Azulada, que vivia os últimos anos de um jejum que superou duas décadas. El Tigre não participou das grandes conquistas emendadas pelos velezanos no início dos anos 1990, mas foi uma referência da equipe até sua saída rumo ao Independiente. Criou raízes para retomá-las tempos depois, já como treinador.

Gareca rodou bastante pela Argentina após se tornar técnico. Dirigiu times como o Talleres, o Independiente, o Colón e o Quilmes, além de trabalhar na Colômbia e no Peru. Seu retornou ao Vélez aconteceu em 2009, credenciado por dirigir o Universitario rumo a um título no Campeonato Peruano. E o casamento de El Tigre com seu time do coração rendeu uma coleção de troféus. A série de conquistas incluiu o Clausura 2009, o Clausura 2011 e o Inicial 2012. Apenas a Libertadores deixou um gosto amargo, em tempos nos quais os velezanos pareciam ter forças para reconquistar o troféu, mas não passaram das semifinais. Figuras como Nicolás Otamendi, Marcelo Barovero, Sebá Domínguez, Emiliano Papa, Ricky Álvarez, Maxi Moralez, Lucas Pratto e Santiago Silva fizeram parte daqueles ciclos marcantes.

A saída de Gareca do Vélez aconteceu em 2013, antes de sua malfadada passagem pelo Palmeiras. De qualquer maneira, a excelência com o clube argentino facilitou sua escolha para dirigir a seleção do Peru a partir de 2015. El Tigre fez um dos melhores trabalhos do futebol continental à frente da Blanquirroja, excedendo as expectativas sobre um elenco limitado. Conseguiu levar os peruanos de volta à Copa do Mundo depois de 36 anos e também alcançou a decisão da Copa América. Por mais que o time tenha caído na repescagem do Mundial de 2022, o moral de Gareca seguia intacto. Entretanto, a federação não apresentou uma boa proposta na renovação de seu contrato e ele preferiu sair.

Mais recentemente, Gareca era dado como certo para assumir como novo técnico do Equador. Porém, o negócio naufragou, ao passo que Gustavo Alfaro processou a federação local por valores não pagos. Diante do cenário, voltar para casa parecia uma boa pedida a El Tigre. E o Vélez abre novamente as portas, num acerto que já vinha se desenhando ao longo dos últimos dias. Alexander Medina deixou o comando dos velezanos no fim de fevereiro, o que parecia a brecha perfeita para alinhar a volta de Gareca. Mais de nove anos depois de sua saída, o técnico retorna para tentar ao menos ampliar seus feitos.

Gareca chegou a 250 partidas à frente do Vélez em sua primeira passagem, com um aproveitamento que beirou os 60%. Encontra agora um time bem mais modesto, que só venceu duas partidas em sua largada no Campeonato Argentino e não disputará as competições continentais nesta temporada. Entretanto, não é exagero dizer que os velezanos passam a contar com o melhor treinador à disposição no futebol argentino atualmente. O passado de Gareca no clube é uma tremenda referência, assim como a guinada que proporcionou à seleção peruana. Os torcedores têm motivos para se empolgar.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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