Argentina

Clubes argentinos apostam na volta de velhos ídolos: Benedetto no Boca, Quintero no River, Valeri no Lanús

Valeri retorna depois de nove anos como ídolo em Portland, enquanto Benedetto e Quintero tentam recuperar a melhor forma

A Argentina atravessa um momento aquecido no mercado de transferências e a semana guardaria a volta de diversos ídolos a clubes importantes do país. Dario Benedetto não emplacou na Europa, por Olympique de Marseille e Elche, então agora tenta recuperar o melhor de sua carreira com o Boca Juniors. Juan Fernando Quintero ganhou seu dinheiro na China e, herói do River Plate, é uma boa novidade no time de Marcelo Gallardo. Já um retorno que chama atenção é o de Diego Valeri. O meia era protagonista na ascensão do Lanús, depois virou ídolo do Portland Timbers e, ao fim de nove anos nos Estados Unidos, retorna a La Fortaleza.

O Lanús tem seu histórico de valorizar os grandes ídolos de sua história. Nomes como José Sand e Maximiliano Velázquez participaram de diferentes momentos vitoriosos dos grenás. O retorno de Diego Valeri, aos 35 anos, o inclui nessa lista. Revelação do clube, o meia estourou na conquista do Apertura de 2007 e chegou a se aventurar pela Europa, por Porto e Almería. De volta ao Lanús, ainda fez parte da equipe até janeiro de 2013. Foi quando o armador, aos 26 anos, arrumou suas malas na Major League Soccer.

Valeri é uma figura central na consolidação do Portland Timbers como um clube importante da MLS. O argentino disputou 309 jogos pelo clube, com 100 gols e 78 assistências. Foram sete campanhas rumo aos playoffs em nove temporadas, com um título do campeonato e outro do mini-torneio criado na volta da pandemia. Valeri também foi eleito o melhor jogador da MLS em 2017. Num clube de torcida apaixonada, era adorado – tanto que já foi anunciado como embaixador da equipe quando se aposentar. E, embora em declínio, parece capaz de dar um caldo neste novo momento pelo Lanús. A equipe está classificada para a Copa Sul-Americana de 2022.

Benedetto é um personagem bem mais conhecido por sua relação com o Boca Juniors. O centroavante teve bons momentos com o Arsenal de Sarandí e foi muito vitorioso no futebol mexicano, antes de emplacar na Bombonera. La Pipa foi artilheiro do Campeonato Argentino pelos xeneizes e conquistou o troféu duas vezes, mesmo lidando com uma séria lesão. Também anotou gols importantes pela Libertadores, embora não tenha evitado a derrota para o River Plate em 2018. Só que sua passagem pela Europa deixou a desejar.

Benedetto teve um pouco mais de espaço em sua primeira temporada pelo Olympique de Marseille, em 2019/20. Chegou a anotar 11 gols pela Ligue 1, antes de perder espaço com Jorge Sampaoli. Na atual temporada, quando ficou claro que não teria vez no Vélodrome, assinou com o Elche – depois de longo flerte com o São Paulo. Todavia, míseros dois gols na primeira metade de La Liga aceleraram sua saída. Aos 31 anos, sua própria relação com o Boca permite acreditar na recuperação.

Já Juan Fernando Quintero foi exatamente um dos protagonistas do River Plate que frustraram o Boca na final de 2018. A carreira do colombiano é bem mais oscilante. Depois de surgir por Envigado e Atlético Nacional, o armador rodou por Pescara, Porto e Rennes. Não se firmaria na Europa e recuperaria sua melhor forma no Independiente Medellín. Foi o que levou o River Plate a apostar no meia, que retribuiu a confiança com grandes atuações e o protagonismo na Libertadores. Com seu nome em alta, assinaria em 2021 com o Shenzhen.

Quintero ficou apenas um ano na China. Em uma equipe de meio de tabela, não teria números tão impressionantes assim. Aos 29 anos, reaparece no River Plate para aumentar a capacidade criativa do time que conquistou o Campeonato Argentino. Pode ser um bom acréscimo, até pensando na média de idade baixa do atual elenco millonario. Resta saber qual vai ser o seu empenho, já que isso nem sempre é o padrão. Ainda assim, às vésperas de mais uma Copa do Mundo, poderá dar um gás para disputar seu terceiro Mundial com a seleção da Colômbia. É quem mais pode ganhar com a vitrine garantida na Argentina.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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