Centurión, o novo 10 do Boca: “Me surpreende que meus companheiros e o técnico confiem em mim”
Ricardo Centurión chegou com moral no São Paulo. Afinal, reforços estrangeiros, querendo ou não, são quase sempre bem vistos. Além de gringo, como começou a ser chamado pela torcida são-paulina antes mesmo de chegar ao clube paulistano, o atacante havia feito uma boa temporada no Racing no ano anterior. Ao retornar de empréstimo do Genoa, foi o responsável pela conquista do título do Campeonato Argentino pelo time de Avellaneda, tendo sido autor do gol que selou o triunfo na última rodada. No entanto, a ligação e a confiança dos tricolores nele foram se esvaindo conforme suas atuações em campo começaram a deixar a desejar. Isso sem falar em sua autoconfiança, que pode ser vista indo embora junto com sua motivação. No Boca Juniors, porém, ele tem conseguido recuperar o que perdeu no Brasil. A prova disso é que ele é, agora, o camisa 10 do time de Guillermo Barros Schelotto.
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Hoje, Centurión ainda pertence ao São Paulo, mas veste a camisa da equipe da Bombonera por ter sido cedido por empréstimo com duração de um ano. A transferência foi e tem sido ótima para ele, que tem feito gols, sido ovacionado pelos torcedores xeneizes e ganhado moral cada vez mais com o treinador. Parece que ele está se sentindo bem em casa em ter retornado para a Argentina, ainda que não para o clube que o revelou. Com a saída de Carlos Tevez para o futebol chinês, um vazio se instaurou no coração da maior torcida argentina. Claro, que torcedores não ficariam com esse sentimento vendo um ídolo ir embora depois de ter voltado da Europa fazendo promessas e declarações ao clube? Junto a isso, a camisa 10 também ficou sem dono. Não até o técnico Guillermo entrega-la a Centurión, que tem feito o uso dela durante o Torneo de Verano.
“Estou feliz em usar a camisa herdada por Tevez. Carlos é alguém muito difícil de se substituir. Tenho que fazer as coisas bem e manter esse nível, ainda que seja algo difícil”, declarou o atacante em entrevista ao Clarín. “Vesti a 10 pensando que estava vestindo qualquer outro número. Se fico pensando que estou usando a camisa 10, as coisas vão ser mais difíceis para o meu lado, já que é uma camisa que foi usada por jogadores históricos no Boca, e eu ainda não consegui nada no clube. Me surpreende que as pessoas, meus companheiros de equipe e o técnico confiem em mim. Mas estou gostando muito disso”, falou ainda. “Em suma, é apenas um número, e dentro de campo somos todos iguais. Se você não ganha ou as coisas acontecem de forma boa é o mesmo que ter um 10 ou um 26 nas costas”.
A numeração concedida a ele é uma demonstração da gratidão por seu empenho e desempenho com o uniforme do Boca Juniors. É o resultado de tudo que ele tem recuperado desde agosto do ano passado na Argentina. Ela, contudo, só tem sido usada por Centurión no torneio de pré-temporada, no qual a equipe azul y oro derrotou o Estudiantes por 2 a 0, com uma bela performance do agora camisa 10, e empatou com o San Lorenzo por 2 a 2. No Campeonato Argentino, o atacante ainda veste a camisa 26, porque é com essa numeração que foi inscrito na competição que tem uma longa duração – e que tem o Boca no topo da tabela de classificação.
Bem entrosado e jogando também em posições secundárias, Centurión diz estar se adaptando ao esquema de Guillermo e às ideias que o técnico tem. “Está indo tudo bem porque tenho ficado mais livre no campo para transitar pelas linhas”, falou o atleta, antes de comentar sobre a rivalidade entre Boca Juniors e River Plate, que será aflorada neste sábado, no primeiro Superclásico do ano. “O clássico sempre é uma jogo a parte. Não temos que entrar na pilha da rivalidade. Temos que ser respeitosos, porque terá torcedores de ambos os lados e não devemos alimentar a violência dentro de campo”, disse. A partida acontecerá às 23h15, horário de Brasília, e será transmitida pelo Fox Sports.



