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Carlos Tevez confirma aposentadoria: dez momentos especiais da carreira de um craque lendário

O ex-jogador de 38 anos afirmou à televisão argentina na última sexta-feira que está oficialmente aposentado do futebol profissional

Carlos Tevez não jogava há mais de um ano, desde que se despediu do Boca Juniors. O anúncio oficial do fim da sua terceira passagem pela Bombonera, em junho do ano passado, deixava aberta a possibilidade de atuar em outros países, mas apesar de ter recebido propostas, o craque decidiu colocar ponto final em uma longa, linda e vitoriosa carreira. Disse em entrevista à emissora de televisão América TV que está realmente aposentado.

“Estou bem, aproveitando a vida, minha família. Joguei por muito tempo. Muito tempo perdido. Estou aposentado. Confirmado”, afirmou o ex-jogador de 38 anos que encantou a torcida do Corinthians, salvou o West Ham do rebaixamento, irritou (e também encantou) os dois lados de Manchester e conduziu a Juventus a uma final europeia. E, claro, foi um dos maiores ídolos da história do Boca Juniors, pelos gols, pelos títulos, pela identificação e pelos clássicos contra o River Plate.

“Ofereceram muitas coisas, mas era uma mudança muito importante para a minha família. Como jogador, já dei tudo que tinha dentro do meu coração. Isso me deixa mais tranquilo”, completou. Ao se despedir do Boca Juniors pela última vez, a morte do pai, em fevereiro de 2021, foi citada como um dos motivos e ela novamente pesou nesta decisão de Carlitos: “Deixei de jogar porque perdi meu fã número um. Eu tinha oito anos e quem vinha me ver era ele. Por que continuar? Foi a única vez que pensei realmente em mim”.

Tevez estreou pelo Boca Juniors ainda adolescente, em 2001. Foi jogador de futebol durante todo o século, embora muitas vezes expressasse que não era assim tão apaixonado pela profissão quanto era pelo simples jogo de bola. Percorreu a trajetória comum de buscar sucesso na Europa, sempre com um pé na Argentina. Era muitas vezes confuso: dizia que queria voltar, mas ficava. Até não ficar mais e retornar à Bombonera apenas para ir embora novamente.

Se fora de campo muitas vezes poderia ser contestado, durante as partidas seu comportamento era impecável. Sempre entregou tudo. Todas as gotas de suor que tinha em seu corpo. Brigava por todas as bolas. Fez gols memoráveis e conquistou títulos importantes. Não era à toa que caía tão rapidamente nas graças das torcidas que defendia. Não é à toa que nenhuma delas esquece os momentos especiais que passou ao lado de Carlitos.

Separamos dez deles. Pouco demais para realmente resumir uma carreira tão vitoriosa, mas apropriado por ser o número da camisa que ele mais gostava de usar. A mesma de Diego Armando Maradona.

A comemoração

Tevez havia sido um jogador importante do Boca Juniors na conquista da Libertadores no ano anterior, mas a imagem mais emblemática de seu começo de carreira foi um gol no Monumental de Núñez – e a comemoração. O Boca havia vencido a ida da semifinal do principal torneio sul-americano na Bombonera por 1 a 0, mas Lucho González empatara ao River Plate na partida de volta. Aos 44 minutos do segundo tempo, Tevez completou um cruzamento rasteiro da entrada da pequena área e celebrou como um maluco, fazendo alusão a uma galinha, apelido do rival. O River ainda conseguiu forçar a disputa de pênaltis, mas os xeneizes chegaram à decisão.

O primeiro ouro da Argentina

Tevez era uma importante revelação do futebol argentino e foi o grande destaque da primeira das duas conquistas do ouro olímpico nos anos 2000. Em Atenas, uma seleção treinada por Marcelo Bielsa, com Javier Mascherano, Javier Saviola, Andrés D’Alessandro e Lucho González passou por cima de todo mundo, vencendo os seis jogos. Tevez foi o artilheiro do torneio, com oito gols, e marcou o último, que deu a vitória sobre o Paraguai por 1 a 0 na grande final.

O eterno 7 a 1

Carlitos teve uma passagem curta pelo futebol brasileiro, relativamente conturbada e de grande sucesso. Um dos maiores ídolos recentes do Corinthians, marcado pelo título do Campeonato Brasileiro de 2005 e por algumas atuações simplesmente fantásticas. Nenhuma é mais lembrada do que a goleada sobre o Santos, em novembro, na reta final daquela conquista. Tevez marcou três vezes no Eterno 7 a 1, que resistiu ao tempo, apesar de outra partida importante com o mesmo placar uns dez anos depois.

Salvando o West Ham do rebaixamento

Saindo do Corinthians sob polêmica e como um dos maiores talentos da América do Sul, Tevez naturalmente se transferiu para o… West Ham? Foi uma solução temporária e emergencial de Kia Joorabchian, que começou com muita confusão. E terminou em glória. Ou, vai, alívio. Tevez fez sete gols nas últimas dez rodadas da Premier League e foi essencial para salvar os Hammers do rebaixamento. Marcou inclusive no fim de semana derradeiro, em uma vitória por 1 a 0 sobre o Manchester United em Old Trafford, que selou de vez a salvação.

Título europeu com o Manchester United

Excepcional na Libertadores, Tevez demoraria um pouco para ter seu grande momento na Champions League – já falaremos mais sobre ele. Mas, após trocar o West Ham pelo Manchester United, não demorou para conquistá-la pela primeira vez. Foi bem em sua primeira temporada sob o comando de Alex Ferguson e começou jogando a decisão em Moscou contra o Chelsea. Com bola rolando, o placar ficou empatado em 1 a 1. Tevez abriu os trabalhos na disputa de pênaltis, que terminaria com o erro de John Terry e posteriormente de Nicolas Anelka para consagrar os Red Devils.

Colocando a Argentina nas quartas de final

Ninguém teve muito sucesso com a camisa da seleção argentina (principal) durante o longo jejum de títulos. Mas Tevez está entre os principais nomes. Se Lionel Messi demorou para cair no gosto da população, a identificação com Carlitos, o garoto de Fuerte Apache que sempre deixava tudo em campo, foi imediata. Colecionou três vice-campeonatos da Copa América, mas teve o seu maior momento na Copa do Mundo. Com dois gols que incluíram uma linda pancada de fora da área, colocou aquela talentosa bagunça que Diego Maradona levou à África do Sul nas quartas de final, graças a uma vitória por 3 a 1 sobre o México.

O capitão do Manchester City

Kia Joorabchian deu uma declaração em junho de 2009 que havia descartado o Liverpool como destino de Tevez por respeito ao Manchester United, mas achou bem tranquilo (inclusive na mesma entrevista) levá-lo ao Manchester City. Tevez foi o capitão do primeiro título que os Citizens conquistaram em 35 anos, uma vitória por 1 a 0 sobre o Stoke City na final da Copa da Inglaterra. Ele havia recebido a braçadeira de Roberto Mancini, em uma operação para tentar mantê-lo no clube. Digamos que não deu certo: ele passou a janela de transferências inteira tentando ir embora, perdeu o cargo para Vincent Kompany e alguns meses depois brigou com Mancini e foi afastado do elenco – mas retornaria para participar da histórica conquista da Premier League em 2011/12.

Brilhando na Europa

Tevez foi persistente. Tentou tantas vezes sair do Manchester City que conseguiu. O clube finalmente concordou em vendê-lo no último ano do seu contrato. Chegou a Turim em 2013 e imediatamente se tornou um dos pontos de desequilíbrio da Juventus que dominava o futebol italiano. Na temporada seguinte, foi ainda mais brilhante, inclusive em palcos europeus. Havia marcado no jogo de ida das oitavas de final contra o Borussia Dortmund, mas comeu a bola mesmo na volta. Abriu o placar com um lindo gol, deu assistência para Morata fazer o segundo e fechou o 3 a 0 no contra-ataque. Teria outra grande atuação contra o Real Madrid na semifinal para colocar a Velha Senhora na final, a sua primeira na Champions League desde 2003.

De volta ao Monumental

Depois de passar tantos anos dizendo o quanto sentia saudades do Boca Juniors, Tevez provou que era verdade ao deixar a Juventus no que possivelmente era o seu auge no futebol europeu, logo depois de disputar a final da Champions League. Não duraria muito tempo, porque a saudade foi sequestrada por uma proposta milionária da China, um ano e meio depois. Deu tempo de conquistar o Campeonato Argentino e de dar mais um show no Monumental de Núñez. Em dezembro de 2016, pouco antes de acertar com o Shanghai Shenhua, marcou dois gols, com direito a uma pintura, e deu uma assistência na vitória por 4 a 2 sobre o River Plate fora de casa. O resultado colocou o Boca temporariamente na liderança do Argentino – que o clube terminaria novamente como campeão.

O último título

Tevez não foi feliz na China e após dois anos naturalmente retornou ao Boca Juniors. Outra fase da sua carreira, encaminhando para o fim. Mais o experiente veterano do que o craque inevitável. E o nome de um título histórico. Última rodada do Campeonato Argentino de 2019/20. O River Plate liderou durante quase toda a competição, mas empatou em 1 a 1 com o Atlético Tucumán. Na Bombonera, contra o Ginmasia La Plata de Diego Maradona, que lhe deu um caloroso abraço e um beijinho antes de a bola rolar, Tevez marcou o gol da vitória por 1 a 0 que tirou o troféu das mãos do seu maior rival.

Faixa bônus

Cerca de um ano depois, Tevez levantou o último troféu da sua consagrada carreira. E não poderia ter sido mais simbólico porque foi a Copa Diego Armando Maradona, batizada em homenagem ao craque que havia morrido meses antes. Tevez fez seu último jogo na semifinal da Copa da Liga da Argentina, contra o Racing. E o último gol? Claro que foi contra o River Plate, na fase anterior da competição.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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