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Dez anos depois, o Eterno 7 a 1 ainda é referência do clássico entre Corinthians e Santos

A maior goleada do clássico entre Corinthians e Santos aconteceu em 1920, quando o time da Baixada perdeu por 11 a 0 para o rival, na Vila Belmiro, no quarto confronto entre os dois. No começo da década de trinta, o Santos devolveu com duas goleadas: 7 x 1 e 6 x 0. Quase 30 anos depois, Pelé disputou seu primeiro jogo contra o Timão e deu início ao tabu que durou 11 anos. Mas um dos encontros mais lembrados hoje em dia entre os dois grandes alvinegros do estado acabou de completar dez anos.

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Foi em 6 de novembro de 2005. O Corinthians liderava a tabela com 71 pontos, contra seis do Internacional, o segundo colocado. O Santos estava em sexto, mas vinha em má fase, e a derrota naquela tarde no Pacaembu, por 7 a 1, foi a terceira seguida do time de Nelsinho Baptista. Saulo, o goleiro que sofreu os gols, afirma que a partida não influenciou a sua carreira, mas ele não ficou muito mais tempo na Vila Belmiro, e apesar de uma passagem pela Udinese, passou a percorrer clubes menores, como Guaratinguetá, Bonsucesso e hoje em dia está no São Caetano.

Também marcou o começo de um período de transição do Santos entre a geração de Robinho e a de Neymar. Aquele time havia sido montado com a venda do Rei das Pedaladas para o Real Madrid. Era o atual campeão brasileiro, tinha Ricardinho e Luizão, além de Giovanni em fim de carreira. Luxemburgo voltaria para levar o clube a mais umas conquistas estaduais, mas o protagonismo nacional e sul-americano seria retomado apenas com a ascensão daquele que atualmente é um dos craques do Barcelona.

Para o Corinthians, foi a consagração do time montado pela MSI, uma das maiores partidas de Tevez com a camisa do Timão e uma exibição de gala para confirmar as credenciais do time ao tetracampeonato brasileiro, apesar das polêmicas que envolveram aquela edição. Foi também uma vingancinha pessoal do torcedor depois do jogo das pedaladas de 2002. A goleada entrou para o imaginário do clássico e ganhou o apelido de #Eterno7x1, que nem a derrota do Brasil para a Alemanha na Copa do Mundo pelo mesmo placar conseguiu substituir.

Antes do cronômetro completar um minuto de jogo, Rosinei aproveitou a fragilidade da defesa santista e fez 1 a 0. Mas logo em seguida, Geílson empatou de cabeça. Foi uma goleada um pouco curiosa. Não houve um apagão de cinco minutos ou vários gols em sequência que deixaram o Santos atordoado. Os sete tentos do Corinthians foram razoavelmente espaçados durante a partida, e antes de Tevez marcar o terceiro, aos 36 minutos, o time visitante teve duas oportunidades boas de empatar novamente, em um chute cara a cara de Geílson e um escanteio que Eduardo Ratinho cortou em cima da linha.

E com o placar de 3 a 1, o primeiro tempo chegou ao fim, e começaram aqueles 15 minutos em que o elenco do Santos ainda pensava em empatar ou, na pior das hipóteses, sofrer uma derrota normal para o futuro campeão brasileiro. Mesmo que não desse para voltar à partida, o Corinthians provavelmente tiraria o pé para se poupar. Era uma tarde quente de primavera. Mal sabiam o que vinha pela frente.

Bem no comecinho, Nilmar roubou uma bola da defesa do Santos, dentro da grande área (!), e chutou para grande defesa de Saulo. Aos 7 da etapa final, Tevez concluiu o seu show de cumbia: tabelou com o ex-atacante do Internacional e tocou na saída do goleiro. Seu terceiro gol na partida, 18° no Campeonato Brasileiro daquele ano, e o quarto do Corinthians, que começava a desenhar os contornos da goleada.

Carlos Alberto arriscou da intermediária, e Saulo cedeu rebote. Nilmar, no auge da sua forma, apareceu como um raio para conferir e fazer 5 a 1. Entrou Jô no lugar de Tevez, e na sua primeira jogada, apareceu na ponta esquerda e cruzou para Nilmar fazer o sexto de cabeça. Giovanni ainda respondeu com uma tentativa de fora da área, mas quem colocou a bola nas redes foi Marcelo Mattos, em uma cobrança de falta que bateu no pé da trave e entrou com requintes de crueldade.

Em janeiro do ano passado, o Santos poderia ter dado o troco. Seria a redenção para a torcida e para garotos como Gabriel, Geuvânio e Stefano Yuri, das categorias de base do clube, que assistiram ao massacre como crianças que sonhavam em serem jogadores de futebol. Incerto o quanto isso os afetou na época, mas, aos 17 minutos do segundo tempo da partida válida pelo Campeonato Paulista, tinham a vantagem de 4 a 1 contra um Corinthians abatido. Era a maior chance que o alvinegro praiano teve para devolver um pouco da zoação.

Mas eles tiraram o pé. Thiago Ribeiro ainda fez 5 a 1, aos 32 minutos do segundo tempo, e por falta de consciência histórica, incapacidade ou mesmo aquele pacto que existe entre os jogadores para não humilhar muito, o Santos não conseguiu devolver o placar de 2005, e aquele 7 a 1 continua sendo o encontro mais marcante da era moderna entre os dois clubes.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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