Argentina

Campeonato Argentino terá “superfinal” apenas no nome

O Campeonato Argentino apresentou uma grande novidade nesta temporada. Ao invés de coroar duas equipes, apenas um clube poderá se proclamar campeão nacional. Vencedor do Torneio Inicial, o Vélez Sarsfield enfrentará na Superfinal o Newell’s Old Boys, que faturou o Torneio Final. Uma ideia que já começa a ser questionada logo em seu ano de criação.

Esta é a segunda vez que os argentinos adotam tal formato. A primeira vez aconteceu em 1990/91, quando adotaram os dois turnos de maneira independente, ao invés de um único torneio com jogos de ida e volta entre os times. Na ocasião, o próprio Newell’s se deu bem, ficando com o título ao bater o Boca Juniors na final. Os leprosos, porém, também ganharam uma vaga na Libertadores, enquanto a segunda foi disputada em uma repescagem.

Desta vez, a Superfinal até vale a classificação à Libertadores 2014, mas só para o Vélez. O Newell’s vai para a competição mesmo se perder esse último jogo, que será disputado em Mendoza. Já se ganhar, o Lanús carimba o passaporte para a competição continental, por ter o segundo melhor desempenho na soma de pontos entre os dois turnos – o Vélez é tem quinto.

Não à toa, a situação não agradou Gerardo Martino, técnico do Newell’s. Às vésperas do jogo de ida das semifinais da Libertadores, contra o Atlético Mineiro, a equipe de Rosário terá que enfrentar um jogo de pressão desnecessária. Porque, para os leprosos, o único valor desta final se concentra na taça e na premiação – dois milhões de pesos, cerca de 800 mil reais.

“Não me parece lógico que se jogue essa final. Não vejo muito sentido. Não conheço um campeonato no mundo em que haja três campeões em um ano, é um meio raro. Não é uma situação cômoda ter que definir um título tão próximo das semifinais da Libertadores. Vamos com o melhor que temos para jogar contra o Vélez. A parte econômica da Superfinal é preciso ter em conta. A estrela, nem tanto. Creio que os organizadores deveriam se colocar na pele daqueles que jogam”, declarou o treinador.

Já ao Vélez, é a chance de ir à desforra. A decisão vale a vaga na Libertadores, o gosto de soltar o grito de campeão e também de se vingar do Newell’s. Afinal, o Fortín caiu justamente para os conterrâneos nas oitavas de final da Copa Libertadores e agora podem estragar o clima dos rosarinos antes de voltarem a se concentrar na disputa continental.

O grande questionamento fica sobre a validade histórica deste jogo. Embora o Newell’s tenha levado a melhor em 1990/91, o feito do Boca Juniors no Torneio Clausura não é tão minimizado. E, enquanto os questionamentos sobre a validade desta Superfinal deram mais manchetes que a própria partida, fica difícil imaginar que o projeto dure por muito tempo.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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