Argentina

Boca Juniors aposta na mística e escolha Sebastián Battaglia como treinador

Miguel Ángel Russo foi demitido depois de muita contestação e Battaglia, o jogador com mais títulos na história do Boca, assume como técnico principal

O Boca Juniors decidiu mudar o seu comando. O técnico Miguel Ángel Russo acabou demitido, em meio a cobranças pelo desempenho do time. Quem assume a bronca é um novato: Sebastián Battaglia. O ex-jogador, de 40 anos, ainda tem pouca experiência no cargo e era o treinador do time reserva dos xeneizes. O jogador mais vencedor da história do Boca, com 17 títulos, assumiu como técnico principal da equipe até dezembro.

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Miguel Ángel Russo voltou ao Boca em janeiro de 2020 para comandar o clube pela segunda vez. Em sua primeira passagem, em 2007, conquistou o último título de Libertadores do clube, com Juan Román Riquelme como craque. Nos últimos anos, vinha trabalhando fora do país. Dirigiu o Millonarios, na Colômbia, Alianza Lima, no Peru, e Cerro Porteño, no Paraguai. O retorno ao Boca foi surpreendente até para ele.

Conseguiu conquistar o título argentino na temporada 2019/20, pouco antes da pandemia paralisar o futebol. Conquistaria também a Copa da Liga em 2021, derrotando o Banfield nos pênaltis. Os dois títulos, porém, não foram suficientes. Os resultados ruins apareceram em profusão.

A última vitória do Boca foi em maio, antes da parada para a Copa América, ainda pela Libertadores, diante do Strongest. Eram 10 jogos sem vitória. Assim, a diretoria despediu o técnico. Na atual temporada do Campeonato Argentino, ainda não venceu nenhuma vez. São quatro empates e duas derrotas. Ainda teve a eliminação diante do Atlético Mineiro que, apesar das reclamações em relação à arbitragem, também pesou pelas atuações abaixo do que se esperava do time.

A aposta do Boca tem a ver com a história do clube. Sebastián Battaglia teve uma carreira de sucesso como jogador. Formado nas categorias de base do Boca, jogou pelo clube de 1998 a 2003. Defendeu também o Villarreal por uma temporada, em 2004/05, antes de retornar ao clube argentino. Na segunda passagem, ficou de 2005 a 2013, quando pendurou as chuteiras. Tornou-se uma lenda pela sua entrega, capacidade de marcação, liderança e pelo futebol, claro.

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Battaglia estará acompanhado de Juan Krupoviesa, que era seu auxiliar no time reserva, além de PF Zacarías Gaggero, com quem trabalhou quando foi técnico principal do Almagro, clube que dirigiu por meros sete jogos. Curiosamente, um membro da comissão técnica de Miguel Ángel Russo permanecerá: Mariano Herrón, ex-volante, que tem uma boa relação dos tempos de jogador com Juan Román Riquelme, vice-presidente e um dos mais poderosos dirigentes do Boca atualmente.

Como técnico, sua experiência no Almagro foi muito curta, em 2018, em uma tentativa vã de impedir o rebaixamento do clube. Depois de deixar o Almagro, foi assistente técnico de Julio César Falcioni até o final daquele ano de 2018. No começo de 2020, Battaglia assumiu como treinador do time reserva do Boca Juniors, equivalente aos aspirantes do Brasil.

Battaglia já era o técnico interino desde que Miguel Ángel Russo estava em isolamento por ter contraído a COVID-19, logo depois da eliminação do Boca diante do Atlético Mineiro. Ele comandou a equipe por dois jogos. Russo voltou ao comando dos xeneizes, mas acabaria demitido. Assim, Battaglia foi efetivado como técnico, com contrato até o fim de 2021. O Boca espera que possa descobrir um bom treinador em um ex-jogador, como já aconteceu antes. Parece, agora, uma aposta mais mística que técnica.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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