Argentina

Batistuta revela ter dificuldade para andar: “Dei ao futebol mais do que eu tinha”

Batigol. O apelido já diz muito sobre quem é Gabriel Omar Batistuta, atacante que brilhou pela argentina e, principalmente, nos campos da Itália. Brilhou pela seleção argentina, a começar pela Copa América de 1991, quando foi artilheiro e os albicelestes foram campeões. Jogou as Copas do Mundo de 1994, 1998 e 2002. Um artilheiro nato, Batistuta também sofreu com lesões, algo que causa sequelas até os dias atuais, 15 anos depois da sua aposentadoria dos gramados.

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Fruto das categorias de base do Newell’s Old Boys, passou pelo River Plate e brilhou pelo Boca Juniors. Bastou uma temporada por lá para rumar à Fiorentina, onde passou nove anos. Jogou ainda pela Roma por mais três anos antes de jogar rapidamente pela Internazionale e terminou a carreira no Al-Arabi. Aos 48 anos,Batistuta é visto como um exemplo para todo mundo que quer vestir a camisa 9 da Argentina.

A vida de jogador deixou sequelas. Em 2014, Batistuta deu entrevista à TyC argentina dizendo que pensou em amputar as pernas após a aposentadoria pelas dores que sentia. No ano seguinte, surgiram rumores sobre a saúde do ex-jogador e que ele voltou a considerar amputar as pernas, mas ele mesmo desmentiu os rumores nesta entrevista.

Perguntado sobre uma declaração que se tornou polêmica que ele não gostava e futebol, Batistuta esclareceu. “Eu disse isso, estava tentando me proteger da imprensa e do público. Eu disse isso, para que eles parassem de me perguntar as coisas. Eu estava achando treinar e todo o resto um pouco demais. Você tem que lembrar que eu jogava na Itália nos bons tempos”, afirmou o ex-jogador em entrevista à revista da Fifa.

“Havia muita pressão e todo mundo falava de futebol o tempo todo, o que eu achava muito chato. Nem preciso dizer que eu amo o futebol, as táticas, os treinamentos e tudo que acontece no campo. Eu não estava empolgado com futebol quando eu era jovem, mas se tornou a minha paixão. Eu terminei vivendo e respirando futebol. Agora, eu tenho dificuldade de andar por isso, porque eu dei mais do que eu tinha para dar”, afirmou.  “Eu amo o futebol e tudo que vem com de fato jogar. O que eu não gosto muito são as entrevistas (risos), as polêmicas e as coisas externas”.

Foi justamente com um gol de Batistuta que a Argentina comemorou o seu último título em seleções adultas, na vitória por 2 a 1 sobre o México na Copa América de 1993. “É impressionante que ainda não tenhamos ganho nada desde então”, diz. A Argentina chegou em muitas finais, mas perdeu todas, incluindo as duas últimas Copas América e a final da Copa do Mundo de 2014.

Perguntado sobre Gonzalo Higuaín e Sergio Agüero, que não têm boas atuações pela seleção, Batistuta disse que falta sorte. “Eles tiveram muito azar, especialmente Higuaín. Ele perdeu chances fundamentais nas três finais [nas finais da Copa América de 2015 e 2016, além da Copa América de 2014]. Eu digo que é má sorte porque foi ele que criou essas três oportunidades. Não é como se um companheiro de time tivesse feito tudo e o deixasse na cara do gol. A sua má sorte foi que ele não aproveitou essas chances. Contra a Alemanha, por exemplo, ele só perdeu depois de estar atento para pegar a bola que sobrou, ele fez tudo que um camisa 9 tem que fazer. Ele fez tudo certo, apesar de ter chutado para fora. E tivesse acontecido em um outro jogo, na fase de grupos, ninguém diria nada. Na verdade, nós estaríamos o elogiando por criar a chance”, analisou Batistuta.

Com 78 jogos e 56 gols marcados, Batistuta foi o maior artilheiro da Argentina por muito tempo. Até Lionel Messi. “Eu estava vendo que isso iria acontecer há cinco ou seis anos. Na verdade, eu achava que ele quebraria o recorde antes. Era uma marca que estava no meu coração, mas ele bateu e isso que é fato. Eu quebrei o recorde na minha época. É algo que acontece”.

Um recorde que foi enorme, porque as seleções jogavam menos que atualmente. Batistuta foi um exímio marcador de gols. Messi é excepcional e já mostrou isso várias vezes, com tantos recordes que é difícil imaginar um limite. Batistuta tem títulos na Copa América, algo que Messi ainda tenta conseguir. O objetivo, para 2018, é a Copa do Mundo. Algo que Batistuta também não conseguiu, mesmo jogando em timaços ao longo da carreira.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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