Batista encara maior desafio

Sergio Batista ficou no vácuo. Tentou falar com Maradona duas vezes. Não obteve retorno em nenhuma delas. Diz não ter entendido muito bem o porquê. Imagina que talvez o craque não queira lhe atender. O conteúdo do papo, garante, não teria nada de técnico. Seria mais uma conversa entre amigos, para saber como o ex-treinador da seleção anda após a Copa.
Batista viu um Maradona abalado ao fim do torneio. Esteve lá com ele. Comandava o time de sparrings da equipe. Não tinha total certeza se o chefe seguiria no cargo. Não importava também.
Colegas no bi de 86, Diego e Sergio não gozam de uma relação lá tão próxima assim. Tiveram seus abalos nos últimos anos. Confiável ou não, o então técnico dos sub-20s o acompanhava. Conferia tudo de perto, as falhas, os acertos. Poderiam servir no futuro, pensava.
Sim, porque, com a coisa estremecida entre eles, sabia que poderia ser chamado a qualquer momento para a seleção principal. Já havia sido candidato em 2008. Não deu certo. Depois da África do Sul, no entanto, conseguiu finalmente o que queria. Foi conduzido ao cargo com o qual tanto sonhava. Não parece disposto a sair de lá tão cedo. Os dirigentes também aparentam caminhar no mesmo sentido. Anunciaram a sua permanência até no mínimo 31 de dezembro. Para tirá-lo do posto, comentam, só dificuldades muito grandes.
E é isso mesmo. Batista deverá ser o técnico da Argentina em 2014. O que representaria, claro, uma derrota de Maradona. Talvez tenham sido essas as boas novas que o técnico queria lhe passar. Não há como saber. Já falei aqui algumas vezes, e repito, não o considero um cara confiável. Diego também, não.
Mas, bem, não há como negar. Ele vem fazendo seu trabalho de forma quase perfeita. Além de tudo, é uma pessoa inteligente. Nesse tempo de seleção, aproximou-se daquele que pode lhe garantir o futuro. Lionel Messi, óbvio. Um garoto que já o ajudou muito em 2008, em Pequim, e que pode dar mais uma forcinha agora.
Deixá-lo à vontade em campo, jogando como joga no Barcelona, com gente trabalhando em seu favor, foi uma das decisões de Batista. Outra foi trazer de volta colegas que Leo havia pedido a Maradona. Casos de Gabriel Milito e Cambiasso. Não para por aí. Sergio armou um meio-campo forte, que toca a bola e faz ela chegar ao ataque – com Cambiasso, Banega e Gago (Mascherano deverá assumir o posto). Mudou o trato com dirigentes, Bilardo, torcida. Enfim, ainda que com todas aquelas restrições já comentadas, soa como o treinador perfeito para os argentinos no momento.
Depois da Irlanda, terá o seu primeiro grande teste nesta terça-feira, contra a Espanha. Os campeões mundiais são aqueles em que, diz, busca inspiração. Talvez não no futebol. Os albicelestes não precisam disso. Mas no projeto. Bom, é por aí mesmo. Empate ou vitória diante da Fúria deverão dar a Batista o status quase que de intocável.
Político nesses primeiros meses, o técnico está fazendo tudo o que os argentinos pediram. Precisará, contudo, de um pouco mais de ousadia quando fixado no posto. A renovação em alguns setores – inclusive, na defesa – é algo que urge a ser feito. Batista, como um cara que estava na base há pouco tempo, sabe bem disso, e talvez conheça onde buscar essas novas peças.
Soluções caseiras
Ainda que com dificuldades financeiras, o River investiu alguns milhões em contratações para esta temporada. Trouxe gente boa, que, esperava, resolveria seus problemas. Pavone era um desses caras. Em sua chegada, sentiu rapidamente o impacto do negócio. Dono de um perfil no Twitter, viu o seu número de seguidores crescer num ritmo nunca antes imaginado.
Pelo jeito, vai ficar por aí. Porque gols, bem, ainda segue devendo. Para ser justo, não vinha jogando neste início de Apertura. Abriu espaço para que Cappa experimentasse por ali, em seu posto, a revelação Funes Mori. Deve estar arrependido nessa altura.
O jovem matador já soma três gols e é um dos artilheiros do campeonato, peça indiscutível nesse River que vai se encontrando e mostrando um bom futebol para um time ainda em formação.
Algo parecido também se desenrola no rival Boca. No rol de jogadores que ficaram pelo caminho graças a Palermo, constam muitos nomes. Caras como Balbo, Marioni, Bueno, Boselli, Figueroa e por aí vai. Viatri poderia se juntar a eles. Pintou em 2008 já com alguma rodagem, porém ainda novo. Parecia ter o que era preciso para se firmar ali. Custou, mas, enfim, o atacante está justificando essa expectativa.
Com Palermo algo em baixa neste semestre, acumula, a exemplo de Funes Mori, três gols na tábua de goleadores. É candidato a estrela desse novo Boca que se desenha com Borghi – isso se ele conseguir resistir mais algumas rodadas, claro.
Viatri e Funes Mori. São as soluções caseiras de Boca e River para superar esse momento difícil que atravessam. Com a benção de Palermo e Pavone, eles hão de entender.



