Bahía Blanca e não Londres

Congresso da Fifa? Tudo bem, uma viagem para Suíça não é algo para se dispensar, mas do jeito que as coisas estão por lá, com investigações por todos os lados, melhor ficar por cá mesmo. Mas e a final da Champions, a primeira parada após cruzar o Atlântico? Essa seria uma boa, Passarella haveria de reconhecer. No entanto, o momento não é pra isso e, aconselhado por colegas no clube, o presidente millonario deverá ir até Bahía Blanca e não Londres. De ônibus. E não de avião.
Por lá, o River joga a sua vida contra o Olimpo. Uma final ou mais do que isso em sua briga para fugir do rebaixamento, como afirmou o veterano Matías Almeyda. O volante é uma das novidades da equipe para a partida contra o adversário direto nessa sua rota de fuga – a “outra”, indesejável, é a ausência do jovem Erik Lamela, suspenso com cinco cartões amarelos. Sem o meio-campista, o time terá que fazer jus ao ditado “bola para o mato que o jogo é de campeonato”.
Faltam jogadores para fazer a bola rolar – o número de gols (12) marcados em 15 jogos dá uma ideia disso. Mas não falta perspicácia para se sacar qual campeonato estará em ação ali. Sim, no início do torneio, ali pelo meio do Clausura, disputava-se mais de um campeonato, conforme declarou o presidente Passarella ao traduzir a situação com a qual o clube se confrontava.
“Estamos jogando três campeonatos: embaixo, em cima e o econômico”, afirmou, em entrevista ao jornal “La Nación”.
Bom, o tal campeonato em cima, não é segredo, já se foi há tempos. A equipe até chegou a liderar o Clausura, deu pinta de que iria chegar, mas ficou pelo caminho. Era uma equipe que fazia poucos gols, como os números revelam, mas que sofria poucos gols também. Graças quase sempre ao goleiro Juan Pablo Carrizo – ninguém contava, contudo, que ele iria enveredar por uma má fase e mudar esse panorama de figura. Hoje, o River é apenas uma equipe que faz poucos gols.
E, assim, o tal campeonato pelo título se foi – o econômico, ressalte-se, se encontra em stand by (há boas perspectivas com Lamela, Maidana e Funes Mori, por exemplo). Os Millonarios disputam apenas um campeonato nesse momento. Um campeonato que se afunila, tem apenas quatro rodadas pela frente, e um confronto direto no fim de semana, em Bahía Blanca, mesmo palco da conquista de 2003, com esse mesmo Carrizo agora em baixa, Buonanotte e Ortega em destaque. O drama do River comove. Até mesmo a Maradona, que, em meio aos seus ataques a tudo e a todos, achou tempo para falar sobre o time.
“O River não está jogando bem, mas vendo o Boca também não há diferenças. Estão à altura do Tigre, do Olimpo…”, analisou o craque.
Não são palavras que realmente enchem de esperança o torcedor millonario. A (improvável) suspensão do último cartão amarelo de Lamela? Certamente. Já significaria algo para alguém como Passarella, que largou no semestre em meio a todos esses campeonatos e hoje vive a iminência da pior das derrotas enquanto poderia estar acompanhando Messi, Xavi e Rooney no fim de semana, em Wembley.



